Atualmente, o Rio de Janeiro concentra a segunda maior população idosa do Brasil, segundo o Censo 2022 do IBGE, o que faz a Secretaria de Estado de Saúde (SES) se empenhar em melhorar o atendimento dessa população. Entre as ações está a reforma do Hospital Estadual Eduardo Rabelo (HEER), em Senador Vasconcelos, Zona Oeste, cujo investimento foi R$ 13 milhões.
A unidade dispõe de um Centro-Dia, que oferece atividades sociais, complementares ao atendimento médico. Em 2026, a secretaria vai lançar o Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, o qual terá o primeiro curso de formação para cuidadores de idosos.
“O envelhecimento da população é uma realidade que demanda mais oferta de vagas e atendimento especializado. O Governo do Rio está de olho nesse futuro, já preparando a rede hoje. São dois pilares em que estamos atuando, a adaptação da estrutura das unidades e a qualificação dos profissionais, que é o mais importante cuidar com carinho dos nossos idosos”, disse o governador Cláudio Castro (PL).
Moradora de Campo Grande, Silvia Araújo Brêtas, de 70 anos, é tratada no hospital. Ele regularmente faz consultas de homeopatia e tratamento de auriculoterapia – técnica que estimula pontos específicos na orelha para tratar diversas condições físicas, mentais e emocionais.
“Eu aqui me sinto acolhida. Os profissionais nos escutam, olham nos nossos olhos. Isso faz muita diferença, porque depois que a gente envelhece parece que ficamos invisíveis”, disse ela.
Inaugurado em 1973, o HEER é especializado no atendimento geriátrico. Com a modernização houve uma ampliação de leitos e dos serviços, o que permitiu que, entre janeiro e setembro de 2025, fossem feitos mais de 16 mil atendimentos no ambulatório, que reúne 15 especialidades, como: cardiologia, geriatria, ginecologia, odontologia, oftalmologia e ortopedia.
O Centro-Dia, onde os idosos participam de atividades, como música, dança, pintura, religião, costura e artesanato, roda de conversa, terapia da memória, atividade física e motivacional, é um grande diferencial.
“Aos 53 anos, o hospital passa pela sua primeira grande reforma desde sua criação. Modernizamos duas enfermarias, com 31 leitos cada; e estamos terminando a terceira ala com mais 31 leitos. Além disso, inauguramos um CTI novo com sete leitos e estamos refazendo toda área da fisioterapia”, esclareceu o diretor da unidade, Helmer Cardoso Mattos.
O lançamento do Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, em fase de elaboração, pretende estabelecer toda a Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa. A medida visa atender às necessidades da população que está em processo de envelhecimento. Segundo o IBGE, até 2060, 40% da população fluminense será de idosos. Diante disso, a SES criou uma área técnica de saúde da pessoa idosa, que oferece treinamentos e capacitações juntos aos municípios.
“O objetivo do Plano é fortalecer a rede de atenção à saúde da pessoa idosa, além de incentivar a cultura do envelhecimento ativo e saudável. Dessa forma, poderemos promover ações de forma integrada e regionalizada e capacitar permanentemente os profissionais de saúde na temática do envelhecimento”, comentou a Secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
No ano passado foram realizadas capacitações específicas para o atendimento de pacientes com Alzheimer, Parkinson e demências de um modo geral. Também foi ministrado um curso para cuidadores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).
“O envelhecimento da população traz aumento de pessoas com doenças crônicas. Com isso, haverá mais demanda de cuidados prolongados e dos paliativos. Quando se fala em cuidado paliativo, as pessoas pensam que isso se restringe a doenças como câncer, mas eles também são necessários quando lidamos com pacientes que convivem com outras doenças que ameaçam sua vida”, afirmou a Superintendente de Atenção Primária da SES-RJ, Halene Armada.
Em 2026, a Escola de Formação Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos (ETIS) vai oferecer o primeiro curso de formação de cuidadores de idosos. O curso vai capacitar profissionais de saúde de todos os municípios fluminenses, que trabalham em instituições de longa permanência, hospitais, UPAs e clínicas da família. A duração será de 7 meses e a carga horária de 230 horas.
“O curso vai oferecer uma formação multidisciplinar, que incluirá sociologia, saúde, ergonomia, acessibilidade, alimentação afetiva e sexualidade, entre outros saberes importantes. Estamos propondo uma mudança na abordagem desses trabalhadores da saúde. É preciso entender que ele é um indivíduo numa fase da vida que exige cuidados, mas que o foco não é na tutela, o foco é na autonomia daquela pessoa. Por isso, a lógica do nosso curso é a da integralidade do paciente idoso, que vai exigir um cuidado, mas um cuidado onde a autonomia, a identidade e o corpo dessa pessoa são respeitados”, explicou a superintendente de Educação em Saúde da SES-RJ, Fernanda Fialho.




