O Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do Brasil e eleito em janeiro de 2026, pela National Geographic, como uma das 7 maravilhas naturais do Brasil para se conhecer neste ano, registrou dois ouriços-cacheiros (Coendou insidiosus), com direito a um carinho maternal nas árvores.
Guilherme Medeiros, funcionário do Parque há 14 anos, é o responsável pelos registros. “Vi a mãe com o filhote há algumas semanas e, diferente de outros bichos que eu costumo ver, como o gavião-carcará, é difícil encontrar um ouriço de maneira tão exposta assim, mesmo nas árvores”, explica Guilherme.
De acordo com Jeferson Pires, médico veterinário e biólogo da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS-Unesa), o vídeo mostra dois ouriços, sendo uma mãe com o seu filhote, que já está quase adulto. “O mais branco com certeza é um filhote grande e deve começar a mudar de cor em breve. Aliás, os filhotes desta espécie podem ter vários padrões de cor: mais ruivo, mais branco ou mais amarelo. Quando se tornam adultos, a coloração escurece”, afirma.
O veterinário lembra que não é nada comum ver ouriços em grupo ou em duplas, pois são animais que ficam sozinhos. Unem-se a outro indivíduo da mesma espécie apenas na época de acasalamento ou quando é uma mãe com seu filhote, caso exibido no vídeo. Outra curiosidade é que os filhotes já nascem como mini ouriços, com seus espinhos, e rapidamente aprendem a comer e a seguir a mãe pelas árvores, uma vez que esses roedores são arborícolas.
A dificuldade de avistar esses pequenos roedores se dá não apenas por eles viverem no alto das árvores, mas também por terem hábitos noturnos. Costumam sair para comer ao entardecer e principalmente à noite. De dia, eles ficam reclusos para descansar e se proteger.
O biólogo também informa que as pessoas não devem se aproximar dos ouriços, mas não por eles serem perigosos e sim para respeitar a fauna, que não deve ser caçada e nem tocada. “Os espinhos do ouriço não são lançados, então, se alguém passar perto sem perceber, não corre risco de ser espetado. A orientação é que o ser humano mantenha distância de todo animal silvestre, por mais fofo que ele aparente ser. No caso do ouriço, por exemplo, o espinho é um pelo modificado. Quando um predador ou alguma ameaça toca este pequeno roedor, esse espinho se solta para funcionar como a defesa do animal”.
A localização exata do avistamento não é possível ser divulgada, mas, ocorreu em um dos setores do Parque.
O ouriço-cacheiro (Coendou insidiosus) é uma espécie de roedor da família Erethizontidae, mede de 50 a 90 cm de comprimento com a cauda e pesa de 1,5 a 2 kg. Os seus espinhos podem medir até 6 cm, enquanto seus membros são curtos, mas com quatro dedos munidos de unhas grandes e curvas. A cauda é comprida e preênsil (como a dos macacos), tendo a parte anterior espinhosa e posterior com pêlos. Ela é essencial para eles se equilibrarem no alto das árvores. Se alimenta de folhas e frutos, como da embaúba, e é um animal de hábito crepuscular e noturno.




