Construtoras ‘brigam’ por terreno milionário da antiga mansão de pedra, destombada pelo STF

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O terreno tem mais de mil metros quadrado e está localizado em uma das áreas mais valiosas do bairro — Foto: Daniel Martins/Diário do Rio

Demolida em novembro do ano passado, após uma longa disputa judicial que se arrastou por quase duas décadas, a antiga mansão de pedra da Lagoa Rodrigo de Freitas já saiu definitivamente do catálogo do patrimônio histórico para entrar no radar mais disputado do mercado imobiliário de alto padrão do Rio. O terreno onde ficava uma das últimas residências antigas à beira da lagoa, na Avenida Epitácio Pessoa, esquina com a Rua Joana Angélica, é agora alvo de uma corrida entre as grandes construtoras da Zona Sul.

Com cerca de 1,1 mil metros quadrados, em um dos trechos mais valorizados da Lagoa, a área está sendo disputada por quatro empresas: TGB Imóveis, do empresário Rogério Chor, Balassiano, RJDI e Pilar Engenharia. As negociações, segundo o portal Metro Quadrado, estariam sendo conduzidas pelo proprietário do terreno, Ricardo Haddad, herdeiro do espólio da antiga Fábrica de Tecidos Bangu.

Como o DIÁRIO DO RIO noticiou ainda em agosto do ano passado, o valor pedido pelo terreno gira em torno de R$ 130 milhões. As propostas em discussão variam entre pagamentos parcelados em até 24 meses ou modelos de permuta, com entrega de cerca de 40% do que vier a ser construído, além de uma entrada estimada entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.

O interesse elevado se explica pela raridade do ativo. Trata-se de um dos últimos grandes terrenos disponíveis na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, com potencial construtivo relevante mesmo diante das restrições urbanísticas do entorno. O gabarito permite edificações de até 25 metros de altura, o equivalente a seis ou sete pavimentos, o que direciona os estudos para projetos exclusivamente residenciais. Todos os projetos em análise preveem empreendimentos residenciais, com variações entre apartamentos maiores, de dois e três quartos, e unidades mais compactas, como estúdios.

A área negociada inclui também o lote vizinho, onde funcionou o antigo Chico’s Bar, demolido há anos e que permanece vazio. Todo o conjunto pertence à mesma família.

Destombamento do imóvel

Noticiado em primeira mão pelo DIÁRIO DO RIO em 2025, o processo de destombamento do imóvel teve início ainda em 2007. Os herdeiros da mansão contestavam o decreto de 2002, assinado pelo então prefeito César Maia, que colocou a residência e outras oito edificações baixas da orla da Lagoa sob proteção municipal.

A disputa se arrastou por diferentes instâncias e sucessivos recursos. A Procuradoria Geral do Município tentou reverter decisões favoráveis à família, mas, em março deste ano, os ministros do STF rejeitaram o último recurso da Prefeitura do Rio, encerrando definitivamente o litígio. Com o caso devolvido à Justiça estadual, os proprietários solicitaram a retirada formal do imóvel da lista de bens tombados e, na sequência, obtiveram a autorização para a demolição.

Quem é a família Haddad

A família Haddad ganhou projeção no mapa econômico do Rio a partir da década de 1990, quando Ricardo Haddad adquiriu a Fábrica Bangu, herdando também o vasto patrimônio imobiliário da antiga família Silveira, proprietária original do complexo industrial. O espólio incluía mais de 200 casas espalhadas por bairros da Zona Oeste, formando um dos maiores domínios privados da região.

Anos depois, Haddad tentou negociar a antiga mansão do doutor Silveirinha, símbolo de Bangu, primeiro com um grupo de supermercados e, posteriormente, com uma igreja. Nenhuma das tratativas avançou. O empresário comandou a fábrica até 2004, quando a unidade encerrou definitivamente as atividades.

Apesar do fechamento da indústria, a família manteve o controle do patrimônio imobiliário. O antigo complexo fabril é hoje alugado para a Allos, sucessora da Alliansce, responsável pela administração do Bangu Shopping. Fora da capital, a herança industrial também permanece ativa, com bens ligados ao setor têxtil ainda sob domínio da família em Petrópolis.

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