Aluguel por temporada cresce no Rio, impulsiona negócios e acirra disputa com hotéis
O mercado de aluguel de curta duração segue em expansão no Rio de Janeiro, atraindo investidores e empreendedores que surfam a popularização de plataformas digitais como Airbnb e Booking — e também alimentando uma disputa com o setor hoteleiro por regulação. Omar Farhat é um exemplo dessa transformação. Em 2013, improvisou um colchão de espuma para alugar um quarto na casa da família e ajudar a mãe a quitar uma dívida de cerca de R$ 20 mil. O complemento de renda virou negócio. Hoje, ele dirige a Omar do Rio, empresa que administra cerca de 380 imóveis — a expectativa é alcançar 400 até o fim do ano — e emprega 150 pessoas. A operação inclui definição de preços, anúncios nas plataformas, suporte aos hóspedes e manutenção dos espaços.“A gente representa o proprietário”, explica Omar. “Problemas podem acontecer. Pode queimar uma geladeira, pode ter uma intercorrência no ar-condicionado. A gente existe para dar o suporte durante a locação.”Ele destaca ainda que a empresa cuida de limpeza e manutenção — inclusive com lavanderia própria. Segundo o setor, o Rio tem visto uma forte expansão desse mercado. De acordo com Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, o número de imóveis para aluguel por temporada cresceu, em média, 20% ao ano na cidade. Um levantamento da entidade identificou 25 mil imóveis disponíveis em março de 2025, alta de 18,1% em relação a abril de 2024 (21,2 mil).“O Rio tem os picos do Réveillon e do Carnaval, fora outros grandes eventos, shows e feriados. Os números são crescentes”, afirma. O cenário também leva à profissionalização de diferentes negócios. Marcio Milech, diretor jurídico da ABLT e sócio da administradora Rio Host, afirma que“a locação por temporada veio para ficar, assim como o iFood e outras empresas da economia disruptiva”.Ele aponta que administradoras assumem todo o processo — da preparação do imóvel à gestão financeira durante a estadia. Regulação e conflitos em debate O avanço do setor esbarra em críticas de moradores e do setor hoteleiro, que cobra regras mais claras. Um projeto de regulamentação tramita na Câmara Municipal do Rio após audiência pública realizada em setembro. Para Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO, os estabelecimentos não se opõem ao modelo, mas questionam uma “tributação desigual” e possíveis conflitos em condomínios.“Se o proprietário não toma o cuidado devido com o imóvel, ou se o hóspede tem um problema de discussão com moradores do prédio, o turista sai da cidade com uma experiência ruim”, diz. “Tem que ter alguma regulação.” Ele também afirma que a atividade eleva os preços do aluguel residencial em áreas turísticas, especialmente Copacabana. Já os defensores da temporada discordam.“São mercados que correm em paralelo, com características totalmente diferentes”, rebate Milech. O Airbnb não detalha quantas acomodações são ofertadas no Rio, mas diz acompanhar o debate na Câmara. Em nota, afirma ter histórico de parceria com governos e que o modelo é respaldado pela Lei do Inquilinato:“Proibir essa locação viola o direito de propriedade de quem aluga seu imóvel.” Dados divulgados pela empresa em setembro mostram que as operações do Airbnb geraram R$ 2,9 bilhões em renda adicional para negócios da cidade.“Quando uma reserva é feita em Copacabana, Lapa ou Jacarepaguá, o efeito se espalha por diferentes bairros”, diz a plataforma. Ainda segundo estudo da FGV, a cada R$ 10 gastos com hospedagem, outros R$ 52 são movimentados em áreas como restaurantes, transporte e lazer. Quer continuar atualizado sobre o mercado imobiliário? Então se inscreva na nossa Newsletter. Todas as terças e sextas, às 7:15, nós enviamos no seu e-mail as principais notícias do mercado Imobiliário. Vejo você lá! Informações retiradas de Leonardo Vieceli a Folha de São Paulo Source link
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