Clássicos do Rio: Bares e restaurantes mais tradicionais do Centro para conhecer em janeiro
O Centro concentra boa parte das casas mais clássicas da alta gastronomia boêmia do Rio Janeiro está aí, época de férias escolares, turistas espalhados pela cidade e o Centro do Rio retomando seu lugar nos roteiros cariocas. Entre ruas que voltam a ganhar vida, que por coincidência vive sua melhor fase nos últimos oito anos, caminhar por esses espaços é como folhear páginas vivas de uma história que se entrelaça com a própria essência da cidade. Era assim que o cronista João do Rio convidava os leitores a “flanar” pelo Centro, ou seja, perambular com inteligência entre prédios históricos e o burburinho dos escritórios. Hoje, flanando pelo bairro, ainda é possível descobrir verdadeiras joias do comércio e da gastronomia carioca, lugares que resistem ao tempo e preservam memórias afetivas. Para celebrar esse retorno à vida do Centro, o DIÁRIO DO RIO selecionou bares e restaurantes clássicos que são paradas obrigatórias para quem trabalha ou visita a região. Restaurante Rio Minho A listagem começa pelo mais antigo em operação na cidade. A casa, que em outubro completa 140 anos, ocupa o mesmo sobradão histórico de três andares da Rua do Ouvidor, número 10. A construção sobreviveu ao golpe militar que derrubou a Monarquia Brasileira, à construção e desastrosa demolição do Mercado Municipal, e à construção e bem-vinda demolição do viaduto da perimetral, que fazia sombra à sua fachada. Com a pandemia, a casa ficou fechada, deixando uma legião de amantes das suas deliciosas iguarias desesperados. Com a volta das atividades na cidade, o Rio Minho reabriu, registrando casa lotada todos os dias em celebração à vida e à boa gastronomia. Muitos são os destaques gastronômicos do Rio Minho. A famosa sopa Leão Veloso, batizada em homenagem ao ministro Pedro Leão Veloso, é apenas um dos pratos que compõem o riquíssimo menu da casa. O polvo é outra iguaria espetacular, com seus tentáculos suculentos e crocantes por fora. As casquinhas de siri e de cavaquinha são excelentes, sendo que esta última uma versão mais nobre e deliciosa da de siri, feita com pedaços da cavaquinha e um creme delicioso. O bolinho de bacalhau do Rio Minho, segundo a sua clientela, pode ser considerado o melhor do Brasil. Endereço: Rua do Ouvidor, 10 – Centro. Leiteria Mineira Desde 1907, a Leiteria Mineira é um ícone do Centro. Fundada por mineiros da Fazenda Sossego, iniciou suas atividades na Galeria Cruzeiro, dentro do Hotel Avenida, na Av. Rio Branco. Nos anos 50, mudou-se para a Rua São José, 82, expandindo suas operações com um salão de 30 mesas. No final dos anos 70, firmou endereço na Rua da Ajuda, 35, onde permanece até hoje, sob a gestão de comerciantes portugueses. A Leiteria Mineira não apenas vende laticínios, mas também é conhecida pelos seus cafés da manhã e almoços bem servidos. Um dos pratos mais famosos é o seu mingau: de aveia (o mais pedido), de Maisena e de Cremogema. O cardápio do estabelecimento possui mais de 150 pratos, incluindo executivos (os famosos PF), por valores bem atrativos, em torno dos R$ 35. Endereço: Rua da Ajuda, 35 – Centro. Casa Paladino Fundado em 1906, é mais um centenário. Um legítimo guardião da tradição dos secos e molhados do século passado. Com seus móveis de madeira e cristaleiras elegantes, azulejos clássicos, o estabelecimento também funciona como um armazém onde se pode encontrar de um tudo. A casa foi aberta, inclusive, como uma sofisticada delicatessen. É imperdível experimentar o sanduíche triplo, verdadeiro campeão de vendas. Com uma combinação simples e saborosa de provolone, ovo e presunto no pão francês. Outra opção deliciosa é o sanduíche com queijo defumado e copa. Para acompanhar essas delícias, nada melhor do que um chope Brahma bem tirado, garantindo uma experiência refrescante para a visita. Endereço: Rua Uruguaiana, 224/226 – Centro. Casa Urich Aberto desde 1913, o restaurante de culinária alemã oferece até hoje pratos que estão no cardápio desde a sua inauguração; tais como os icônicos kassler defumado com chucrute e salada de batata, e o apfelstrudel, sobremesa de maçã com creme chantilly caseiro. Recentemente, para comemorar os 111 anos, a casa devolveu ao menu outros pratos clássicos muito solicitados. Voltaram a língua à moda da casa (língua ao molho madeira, com purê de batata e dois ovos fritos), o filet mignon à munich (recheado de queijo gorgonzola, acompanha talharim na manteiga de ervas finas) e do cozido alemão (eisbein cozido, salsichão vermelho e branco, feijão branco, repolho, cenouras e batatas cozidas). A casa tem feito cada vez mais sucesso, principalmente com o retorno das atividades corporativas no Centro. Às quintas-feiras, dia oficial do happy hour no pós-pandemia (já que muitas empresas adotam home office às sextas), não é difícil encontrar o local cheio, com mesas até na rua, ocupando parte da calçada da Menezes Cortes. Endereço: Rua São José, 50 – Centro. Armazém Senado Um dos mais tradicionais e boêmios, e que agora, tem ganhado espaço no roteiro de turistas e dos cariocas mais jovens. O bar, localizado na esquina das badaladas ruas do Senado e Gomes Freire, promove aos sábados, sua tradicional roda de samba, com os sucessos do passado. O estabelecimento é a cara do Rio. Abrigado em um imóvel centenário, o bar fundado em 1907 é rodeado de bebidas em suas prateleiras. Um enorme balcão coloca à vista as iguarias da casa, como as tradicionais empadinhas. Além disso, uma bandeira de Portugal estendida no meio do salão dá pistas de suas raízes de fundação. O Armazém fica aberto diariamente, mas ao sábados é que o “bicho pega”. Pra pegar um lugar de respeito, é preciso chegar cedo. Fora disso, o jeito é curtir o samba em pé mesmo. Até o prefeito Eduardo Paes costuma bater ponto no endereço. Endereço: Av. Gomes Freire, 256 – Centro. Amarelinho da Cinelândia O Bar Amarelinho foi fundado em 1921, na Cinelândia, que na época, por abrigar teatros e cinemas frequentados pela elite carioca, era considerada a “Broadway Brasileira”. O nome, tão conhecido dos cariocas, nem sempre foi “Amarelinho”: o bar chegou a se chamar “Café Rivera”. A mudança de nome ocorreu devido à cor predominante das paredes externas do










