Vista aérea do Sambódromo da Marquês de Sapucaí – Foto: Reprodução Estamos praticamente a um mês do início dos desfiles do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, a Marquês de Sapucaí receberá três noites de apresentações intensas, com escolas que trazem enredos variados, homenagens a nomes da cultura brasileira e temas que percorrem ancestralidade, resistência, música, literatura e religiosidade. A atual campeã, Beija-Flor de Nilópolis, desfila na segunda-feira (16/2) defendendo o título conquistado em 2025, em um calendário que começa no domingo (15/2) e segue até terça-feira (17/2), com quatro escolas por noite. Ordem dos desfiles após o sorteio: Domingo (15/02) – Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela, Estação Primeira de MangueiraSegunda-feira (16/02) – Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro, Unidos da TijucaTerça-feira (17/02) – Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio, Acadêmicos do Salgueiro O DIÁRIO DO RIO reuniu as 12 agremiações do Grupo Especial em uma apresentação, por ordem de desfile, com enredo e samba-enredo na íntegra. Confira: Acadêmicos de Niterói Enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”A escola estreante chega ao Grupo Especial com uma homenagem à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua infância humilde no Nordeste até a Presidência, destacando sua ascensão, luta sindical e o impacto social, com o carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo desenvolvendo o tema. A escola será a primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí. Samba-enredo – letra na íntegra Eu vi brilhar a estrela de um paísNo choro de luiz, à luz de GaranhunsSertão onde a pobreza e o prantoSe dividem para tantosE a riqueza multiplica para algunsMe vejo nos olhares dos meu filhosAssombrados e vazios com o peito em pedaçosParti atrás do amor e dos meus sonhosPeguei os meus meninos pelos braçosBrilhou um sol da pátria incessantePro destino retirante te levei Luiz InácioPor ironia, treze noites, treze diasMe guiou Santa Luzia, São José alumiouDa esquerda de Deus pai, da luta sindicalÀ liderança mundial Vi a esperança crescer e o povo seguir sua vozRevolucionário é saber escolher os seus heróisZuzu Angel, Henfil, WladimirQue pagaram o preço da raivaNós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva Lute pra vencer, aceite se perderSe o ideal valer, nunca desistaNão é digno fugir, nem tampouco permitirLeiloarem isso aqui a prazo, à vistaÉ… tem filho de pobre virando doutorComida na mesa do trabalhadorA fome tem pressa, Betinho diziaÉ… teu legado é espelho das minhas liçõesSem temer tarifas e sançõesAssim que se firma a soberaniaSem mitos falsos, sem anistia Quanto custa a fome? Quanto vale a vida?Nosso sobrenome é Brasil da SilvaVale uma nação, vale um grande enredoEm Niterói o amor venceu o medoOlê, olê, olê, oláVai passar nessa Avenida mais um samba popularOlê, olê, olê, olá, Lula! Lula! Imperatriz Leopoldinense enredo “Camaleônico”A Verde e Branco de Ramos faz uma homenagem ao icônico artista brasileiro Ney Matogrosso, explorando sua trajetória, ousadia, liberdade e o universo transgressor da MPB, com o carnavalesco Leandro Vieira liderando a celebração da diversidade cultural Samba-enredo – letra na íntegra Sou meio homem, meio bichoO silêncio e o gritoPássaro, mulherQue pinta a verdade no rostoTraz a coragem no corpoE nunca esconde o que éPelo visível, indefinívelRessignifica o frágilO que confunde é o desbundeO que desafia o fácilCanto com alma de mulherArte que sabe o que querE não se esqueça Eu sou o poema que afronta o sistemaA língua no ouvido de quem censurarLivre para ser inteiroPois, sou homem com H E como sou…O bicho, bandido, pecado e feitiçoPavão de mistérios, rebelde, catiçoA voz que a cálida rosa deu nomeA força de Atenas que o mal não consomeO sangue latino que viraVira, vira lobisomemEu juro que é melhor se entregarAo jeito felino provocadorDevoro pra ser devoradoNão vejo pecado ao sul do Equador Se joga na festa, esquece o amanhãMinha escola na rua pra ser campeã! Vem meu amorVamos viver a vidaBota pra ferverQue o dia vai nascer feliz na Leopoldina Portela Enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”A Majestade do Samba costura história e fé para reverenciar Príncipe Custódio, figura histórica e espiritual do Benin que se tornou um símbolo de resistência e fé afro-gaúcha, destacando a força da ancestralidade negra no Sul do Brasil através da religiosidade do Batuque. Samba-enredo – letra na íntegra Ê bará, ê bará… ôô!Quem rege a sua coroa, bará?É o rei de sapaktáAláfia do destino no ifá! É mistério que incandeiaPro batuque incorporarÉ mistério que incandeiaPra portela incorporar Vai, negrinho… vai fazer libertaçãoResgatar a tradiçãoOnde a África assentaÔ, corre gira, vem revelarO reino de ajudá O pampa é terra negra em sua essênciaAlupo, meu senhor, alupô!Vai ter xirê no toque do tamborAlumia o cruzeiro… chave de encruzilhadaÉ macumba de custódio no romper daMadrugada Curandeiro, feiticeiroBatuqueiro precursorPôs a nata no gongá (ô, iaiá!) Fundamento em seu terreiroResiste a fé no orixáDa crença no rosárioAo rito do mercadoAinda segue vivo o seu legado Portela… tu és o próprio trono de zumbiDo samba, a majestade em cada oriYalorixá de todo axé Enquanto houver um pastoreioA chama não apagaráNão há demanda que o povo preto não possaEnfrentar! Ae oni bará! Ae babá lodê!A portela reunida carregada no dendêSob o céu do rio grandeTem reza pra abençoarO príncipe herdeiro da coroa de bará! Estação Primeira de Mangueira Enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”A Verde-e-Rosa faz uma celebração da cultura afro-indígena do Amapá, focada na figura de Raimundo dos Santos Souza (Mestre Sacaca), um xamã, curandeiro e guardião da floresta, conhecido por seus saberes ancestrais e por promover as tradições da Amazônia Negra. A escola homenageia a sabedoria popular e a resistência da Amazônia através das vivências de Sacaca, suas ervas, rituais como o Marabaixo e o Batuque, e a força dos povos tradicionais. Samba-enredo – letra na íntegra Finquei minha raizNo extremo norte onde começa o meu paísAs folhas secas me guiaram ao turéPintada em verde-e-rosa, jenipapo e urucum Árvore-mulher, mangueira quase centenáriaUma nação incorporadaHerdeira quilombola, descendente palikurRegateando