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Quando o futuro do Rio se escrevia em testamentos: os legados que moldaram a cidade

Charles Fichot, “Panorama da Cidade do Rio de Janeiro”, tomada do Morro de Santo Antônio a Voo de Pássaro, vendo-se o Morro do Castelo em frente / Reprodução da Internet, gravura de 1854 Houve um tempo em que o Rio de Janeiro acreditava que o futuro podia ser contratado. Não no sentido moderno de seguro ou previdência, mas num pacto mais profundo, quase silencioso, firmado entre vivos, mortos e instituições que prometiam durar mais do que qualquer indivíduo. Esse tempo — mais lento, mais fiel à repetição do que à pressa — foi organizado, durante séculos, pelas irmandades religiosas que moldaram a cidade muito antes de ela aprender a correr. Ao contrário do que hoje se imagina, essas irmandades não eram apenas associações de devoção ou grupos de procissão. Eram estruturas estáveis de confiança. Gente comum, comerciantes, proprietários, viúvas, funcionários do Império e até figuras modestas do cotidiano urbano deixavam a elas aquilo que tinham de mais sólido: casas, terrenos, fazendas, rendas, títulos. Assim também o fizeram grandes personalidades. Não como um gesto vago de piedade, mas como um acordo preciso. Em troca, a irmandade assumia uma dívida que não se pagava em dinheiro, mas em tempo. Esse tempo vinha marcado em detalhes. Missas todas as quartas-feiras. Ofícios celebrados todos os anos no dia da Epifania do Senhor. Sufrágios perpétuos. Orações repetidas enquanto a cidade mudava, enquanto ruas ganhavam novos nomes, enquanto gerações inteiras nasciam e morriam. O benfeitor partia, mas continuava presente no calendário da cidade. O sino que tocava, a vela que se acendia, o nome que era lido em voz alta: tudo isso fazia com que alguém, morto havia décadas, ainda ocupasse o tempo do Rio. É nesse ponto que a pesquisa de Beatriz Catão Cruz Santos ajuda a compreender a dimensão concreta desse sistema. Os legados não eram simbólicos: estavam registrados, administrados, fiscalizados. A irmandade que os aceitava passava a carregar uma obrigação que atravessava mesas diretoras, mudanças políticas, crises financeiras e até períodos de decadência urbana. Havia um compromisso institucional com aquilo que fora prometido — e romper esse compromisso significava romper com a própria razão de existir da irmandade. Mas há algo ainda mais delicado nesse arranjo, algo que a leitura sensível de Geysa Pereira de Magalhães ajuda a iluminar. Esses legados não organizavam apenas o tempo da instituição; organizavam o tempo da vida. Eles ensinavam à cidade que nem tudo acontece no agora. Que existem esperas legítimas. Que a repetição também é uma forma de cuidado. Que o futuro pode ser preparado com gestos feitos no presente — ou mesmo antes dele. Alguns desses compromissos iam além das missas e alcançavam diretamente o tecido social, deixando marcas que o carioca ainda pode ver e viver hoje. Um dos exemplos mais eloquentes é o Educandário Gonçalves de Araújo, instituição fundada no ano de 1900 sob os auspícios da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, a partir do legado deixado pelo abastado comerciante português Antônio Gonçalves de Araújo.  Quando faleceu, em 1889, Gonçalves de Araújo determinou em testamento que sua fortuna fosse destinada à criação de um asilo para crianças desvalidas — um lugar onde pudessem receber sustento, educação e instrução. A Irmandade da Candelária acolheu não apenas o patrimônio, mas a responsabilidade de fazer desse compromisso uma realidade duradoura. Assim foi construído um edifício que, com sua arquitetura neogótica, ergue-se até hoje no bairro de São Cristóvão e que, ao longo de mais de um século, tem sido espaço de aprendizado, acolhimento e transformação.  O legado de Araújo não era apenas uma doação; era um contrato com o futuro. A instituição educacional que leva seu nome continuou, ano após ano, a cumprir o propósito traçado pelo benfeitor: oferecer educação e formação integral, com atenção à fé, à cultura e à dignidade humana. O que começou como um asilo para crianças desvalidas evoluiu para um colégio que já formou milhares de alunos e alunas, ofertando ensino gratuito e atividades que continuam a moldar vidas.  Por vezes, os legados determinavam que, todos os anos, a irmandade deveria pagar dotes para moças órfãs, permitindo que elas se casassem e construíssem uma vida que, sem essa ajuda, talvez lhes fosse negada. Um dos exemplos mais eloquentes desse sistema é a Fundação Romão de Mattos Duarte, ligado à tradição assistencial da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia. Ali – onde ficava a famosa Roda dos Expostos, onde crianças eram deixadas aos cuidados da confraria e das freiras vicentinas – o tempo também era herança. O gesto de alguém que já havia morrido sustentava futuros que ainda não existiam: casamentos, famílias, descendências inteiras. Há casos em que esse pacto com o tempo se fecha de forma quase perfeita. Um dos mais emblemáticos é o de Luiza Rosa Avondano Pereira, exposta ainda bebê na roda da Santa Casa do Porto. Criada sob os cuidados da instituição, ela viria a se casar, enriquecer e, ao falecer em 1850 no Rio de Janeiro – cidade com uma pujante Irmandade da Misericórdia – deixaria grande parte de seus bens justamente à Santa Casa carioca. Sua vontade: a criação de um Asilo, o que ocorreu e durou por mais de 100 anos após a sua morte. Hoje, funciona no local a Escola Eleva, mas a obra beneficente sobreviveu mais de um século, e mesmo após terminada naquele local, sobrevive através das outras obras da Santa Casa. A criança abandonada tornava-se, assim, benfeitora — não por acaso, mas porque alguém acreditara, desde o início, que sua vida merecia investimento, paciência e futuro. Inácio de Medela deixou muitas e muitas “moradas de casas” onde hoje fica a região da Praça XV para irmandades. Por isso aquela região acabou permanecendo como imagem de um passado que não volta mais. Fossem casas particulares, certamente já não haveria mais o casario do Arco do Teles, por exemplo. Outras áreas geraram grandes equipamentos, como a UFRJ da Praia Vermelha, doada junto com quase metade de Botafogo pelo Vigário Miranda à Santa Casa, que construiu aquela linda edificação como espaço dedicado

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Rio entra em alerta com calor de 40 °C e umidade do ar entre 21% e 30%

Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil O Rio de Janeiro acordou neste domingo sob um cenário típico de verão, com sol forte, sensação de abafamento e termômetros apontando para os 40 °C. Mas o calor não vem sozinho. Ao longo da tarde, os cariocas também vão encarar um desafio invisível e perigoso. A umidade relativa do ar deve despencar para níveis entre 21% e 30% em diferentes pontos da cidade. O alerta foi emitido pelo Sistema Alerta Rio e vale das 14h deste domingo até as 18h de segunda-feira. A combinação de altas temperaturas e ar seco acende um sinal de atenção, principalmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. No sábado (10), o município já havia atingido o nível 3 do Protocolo de Calor. O estágio indica temperaturas entre 36 °C e 40 °C por pelo menos três dias consecutivos. A previsão para este domingo confirma o cenário, com calor intenso, céu aberto e nenhuma chance de chuva. Quando a umidade do ar cai abaixo dos 30%, o corpo sente rapidamente os efeitos. Entre os principais impactos estão o ressecamento da pele e das mucosas, irritação nos olhos, sangramentos no nariz e aumento do risco de crises alérgicas, respiratórias e infecções. Especialistas alertam que, nesses dias, é fundamental reduzir a exposição ao sol e adotar cuidados simples que fazem diferença no bem-estar. Veja os cuidados recomendados para enfrentar o tempo seco Hidrate-se com frequência, mesmo sem sentir sede; Evite atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h; Use soro fisiológico nos olhos e no nariz para aliviar o ressecamento; Aplique protetor solar e prefira roupas leves; Mantenha ambientes ventilados; Evite queimar lixo ou vegetação, o que piora a qualidade do ar. Quando o alívio deve chegar? Para este domingo (11), a temperatura mínima não deve ficar abaixo dos 21 °C. Na segunda-feira (12), o calor segue forte e o tempo permanece seco. Já na terça-feira, há chance de pancadas isoladas de chuva, embora os termômetros ainda possam alcançar os 40 °C O primeiro sinal de alívio só deve aparecer na quarta-feira (14), com redução discreta da temperatura máxima, que deve ficar em torno dos 37 °C. Ainda é uma marca elevada, mas menos extrema. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Cultura e patrimônio em 2026: o que eleitores e políticos precisam enxergar antes do voto

Fachada da estação: pichações, sujeira e ferrugem no prédio tombado pelo patrimônio – Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo 2026 será um ano eleitoral decisivo — com eleições gerais em 4 de outubro (e eventual segundo turno em 25 de outubro) — e, como quase sempre ocorre em ciclos de quatro anos, a pauta da cultura e do patrimônio corre o risco de entrar no debate público apenas como enfeite discursivo: uma menção protocolar aqui, uma promessa vaga ali, e nada que se converta em programa sério de Estado.  E talvez o mais grave não seja só o oportunismo de parte da classe política, mas a falta de mobilização orgânica do próprio campo cultural antes do período eleitoral. De modo geral, não há — salvo raras exceções — uma articulação prévia, minimamente coesa, entre interessados, ativistas, consumidores, diletantes, pesquisadores, servidores e produtores para definir prioridades, pactuar pleitos e cobrar compromissos objetivos. O setor chega atrasado ao jogo. Chega disperso. Chega, muitas vezes, desinformado sobre seus próprios instrumentos. Isso se agrava porque cultura e patrimônio são áreas estruturalmente submetidas a dois flagelos simultâneos: a carência crônica de recursos financeiros e a carência (não raro dramática) de recursos humanos. É um campo com disputas internas por protagonismos — algumas legítimas, outras meramente performáticas — e com enorme dificuldade de construir unidade em torno de um mínimo denominador comum. Falta, sobretudo, o que chamo aqui de “consciência de classe” num sentido não ideológico, mas corporativo e institucional: o tipo de organização pragmática que médicos e advogados exercitam com muito mais competência, criando pressão pública, defendendo carreiras, pautando o legislativo, blindando estruturas e corrigindo fragilidades. O resultado é um panorama amorfo, desigual e injusto: ilhas de prosperidade margeadas por vastas regiões abandonadas, sem ações consistentes, sem investimentos duradouros, com equipamentos culturais em precariedade e com a fruição da memória reduzida a quase nada. E o mais afetado por isso é justamente quem menos aparece na discussão: a população. O povo, que deveria ter acesso cotidiano a bens civilizatórios — patrimônio, memória, teatro, poesia, música — acaba sem repertório e sem ferramentas para apresentar demandas de forma organizada. Soma-se a isso o desentendimento generalizado sobre captação, editais, mecanismos de fomento e prestação de contas, transformando oportunidades em labirintos e direitos em “favores”. É nesse cenário, antigo e persistente, que exorto uma união mais franca e madura entre os diversos atores desse ecossistema — produtores e consumidores, servidores e gestores, diletantes e técnicos, pesquisadores e comunidades — para que 2026 seja o ano em que a pauta da cultura deixe de ser uma nuvem lírica e se torne agenda política com metas, prazos e medidas verificáveis. E, para isso, três pontos deveriam estar no centro de qualquer programa sério de mandato — e, portanto, no centro do olhar de quem vota. O primeiro é uma obviedade que o Brasil insiste em adiar: o plano de carreira do Ministério da Cultura. Plano de carreira não é capricho corporativo; é o esqueleto administrativo sem o qual nada se sustenta. Ele organiza ingresso, remuneração, progressão, formação continuada e atribuições. Sem isso, não há estabilidade técnica, não há retenção de quadros qualificados, não há memória institucional — e tudo vira improviso, rotatividade, dependência do “gênio de ocasião” ou do abnegado que segura a máquina no braço. O próximo ciclo de mandatos (2027–2030) não avançará em nada estrutural se continuar tratando o corpo técnico como detalhe secundário. A cultura não se realiza apenas com editais: ela se realiza com gente competente, formada, valorizada e em número suficiente para fazer o Estado funcionar na ponta. O segundo ponto é o mais mal compreendido: descentralização. E aqui é preciso ser direto: não basta descentralização financeira. É necessário descentralizar também a máquina pública — e não por “modernidade administrativa”, mas porque a cultura acontece no território, e o patrimônio vive no território. Museus federais, por exemplo, são polos irradiadores da memória brasileira: guardiães de tesouros nacionais, intérpretes da nossa história, estruturas vivas do Estado brasileiro. E, no entanto, ainda são geridos por um corpo burocrático muitas vezes distante, estagnado, ausente — quando não exaurido por acúmulo de funções e carência de pessoal. Façamos uma comparação simples com um equipamento que todos conhecem — e que também é cultura: o Maracanã. Faria sentido o Maracanã, mesmo que fosse um equipamento federal, ser administrado por um corpo burocrático em Brasília, sem presença local robusta, sem governança de campo, sem gente vivendo o cotidiano do estádio? Claro que não. Então por que naturalizamos essa distância quando falamos de museus, patrimônio material, bens ferroviários, arqueologia, patrimônio imaterial? E aqui a provocação é necessária: lembram do sucesso recente de celebrações populares no Centro do Rio — como a Folia de Reis? Faz sentido coordenadores, gerentes e diretores cuidarem de coisas tão estratégicas a quilômetros de distância, correndo o risco de desconhecer a pauta com profundidade? Falta engajamento com o mundo real. Falta mais povo na rua fazendo a coisa acontecer e menos gente encastelada, por vezes sem a vivência mínima das necessidades que brotam das pontas. Não se trata de desprezar o planejamento central — ele é indispensável —, mas de reconhecer que a cultura e o patrimônio morrem quando se tornam administração sem chão. O terceiro ponto diz respeito ao fortalecimento dos órgãos regionais. No Rio de Janeiro, temos o brioso Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o INEPAC — primeiro órgão estadual de patrimônio do Brasil, hoje vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. E aqui quero ser muito claro: não se trata de uma crítica aos gestores atuais. Ao contrário: o diretor geral Kiko Brando e a secretária de Estado Danielle Barros vêm realizando um trabalho de requalificação e aprimoramento que merece reconhecimento, sobretudo diante das limitações patentes. O problema é estrutural — e, portanto, político-legislativo: o INEPAC não possui dotação própria robusta, não possui um quadro estável de servidores concursados compatível com seu tamanho, não possui autonomia administrativa na medida necessária para o cumprimento pleno de sua missão pública. E aqui cabe um recado

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O barulho chato que salvava o verão carioca

O bom e velho ventilador: este é herança de família e nos acompanha por gerações, tendo virado peça decorativa / Foto da Autora O DIÁRiO tem feito sucessivas reportagens sobre a quase insuportável onda de calor que vem assolando a cidade, como, aliás, ocorre em todos os verões. Eu dou graças a Deus pela vida de Willys Carrier, inventor do condicionador de ar. Mas houve um tempo em que o verão carioca não era enfrentado em silêncio e no fresquinho. Ele vinha acompanhado de um som constante, metálico ou plástico, que atravessava tardes, noites e madrugadas: o barulho do ventilador, ou do circulador de ar. Antes do ar-condicionado virar promessa de alívio — e muito antes de virar preocupação — era esse aparelho simples, quase rude, que fazia a cidade seguir respirando nos meses mais quentes. Os primeiros eram de metal, pesados, sólidos, praticamente indestrutíveis. Ventiladores que pareciam feitos para durar mais do que a própria casa onde estavam. Muitos deles, de marcas como a General Electric, passavam de geração em geração, atravessavam mudanças, reformas, trocas de endereço. Até hoje temos um que era do avô do meu marido (foto principal). Ligados na tomada, não refrescavam exatamente — empurravam o ar quente de um lado para o outro —, mas criavam a ilusão necessária de movimento, de sobrevivência térmica. Às vezes mais de um ligados nos faziam sentir-nos numa air fryer. Depois vieram os ventiladores de coluna, de pé, quase sempre de plástico, menos elegantes, mais ruidosos. Aliás acho que os de plástico já vêm barulhentos de fábrica, enquanto os de metal começam a bater o pino depois de velhos. Tinham grades frouxas, hélices que vibravam, botões que às vezes falhavam. Faziam um barulho louco, mas “ventavam como poucos”. Eram presença obrigatória em quartos apertados, salas mal ventiladas, apartamentos antigos do Rio onde o calor parecia se acumular nos cantos. Dormia-se com o ventilador apontado para o rosto, para o peito, para o nada — e acordava-se com dor de garganta, mas vivo. E nem vou falar daqueles de teto, espalhadores de poeira e maldição para os alérgicos. Havia um ritual silencioso em torno deles. Ajustar a altura, escolher o ângulo exato, decidir se o vento ficaria fixo ou girando, desligar e ligar durante a noite. O ventilador não era conforto pleno; era negociação. Um acordo possível entre o corpo e o clima. Basicamente secava o suor mas não ia muito além disso. Com o tempo, o ar-condicionado chegou como promessa de modernidade. Silêncio, temperatura controlada, sensação de civilização em meio ao verão carioca. Por alguns anos, pareceu que o ventilador ficaria relegado ao fundo do armário, lembrança de um tempo menos tecnológico, quase constrangedor. Mas o Rio tem dessas ironias: em meio a contas de luz que hoje fazem muita gente pensar duas vezes antes de apertar o botão do “liga”, o velho ventilador volta a ser visto não como nostalgia, mas como plano B. Nada dramático — apenas uma constatação que passa, leve, como o vento que ele produz. Ainda assim, o ventilador permanece, sobretudo, como memória afetiva. Ele não gelava, não prometia conforto absoluto, não silenciava o mundo. Mas estava ali, fiel, barulhento, fazendo o que podia. Foi companheiro de estudo, de insônia, de tardes preguiçosas, de noites intermináveis de calor. Um som que embalou gerações de cariocas. Talvez por isso, ao ouvir novamente aquele ruído conhecido, não seja apenas o ar que se move. Move-se também a lembrança de um Rio mais simples, mais barulhento, mais quente — e, de algum modo, mais acostumado a resolver as coisas com o que tinha à mão. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Serra das Araras será totalmente interditada no sentido São Paulo na noite deste domingo

Maior comboio da história da Dutra tem mais de 130 metros de extensão — Foto: Reprodução Quem pretende viajar pela Via Dutra neste deste domingo (11) precisa redobrar a atenção. A pista de subida da Serra das Araras, no sentido São Paulo, será totalmente fechada para a passagem de uma carreta que transporta um transformador. A interdição está prevista para ocorrer das 22h até as 5h de segunda-feira (12). A operação é coordenada pela concessionária RioSP, responsável pela administração da BR-116, e exige um esquema especial devido às dimensões do veículo, que tem 6 metros de largura, 106 metros de comprimento e pesa 647 toneladas. A carga segue em direção ao Porto de Itaguaí. O deslocamento começa pela pista de descida, no sentido Rio de Janeiro. No km 233, a carreta será transferida para a pista de subida, no sentido São Paulo, seguindo até o km 224, onde retorna novamente à pista de descida. Em seguida, o transporte continua até o km 221, em Paracambi, onde fará uma nova parada. A operação tem início às 9h de domingo, com os serviços preparatórios para a passagem da carga, que podem provocar interdições parciais na pista de subida. Às 22h, ocorre o fechamento total da pista no km 223,5, em frente à balança de Paracambi, com início do deslocamento do transformador a partir do km 239. A previsão é que a operação seja concluída às 7h de segunda-feira, com a liberação total do tráfego. A concessionária orienta que os motoristas programem a viagem com antecedência e, se possível, evitem o trecho durante o período de interdição. Todo o percurso estará sinalizado, com equipes operacionais atuando ao longo da rodovia. Motoristas que trafegarem pela região no sentido Rio de Janeiro também devem redobrar a atenção à sinalização e respeitar os limites de velocidade. As datas e os horários podem sofrer alterações em função de ajustes operacionais ou de condições meteorológicas. Mais informações sobre o tráfego na Rodovia Presidente Dutra podem ser obtidas pelo WhatsApp (11) 2795-2238, no site da concessionária RioSP ou pelo Disque RioSP, no telefone 0800 017 3536. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Festival Humor Contra-Ataca volta ao Qualistage e abre temporada 2026 com oito noites de stand-up

O Festival Humor Contra-Ataca volta em 2026 ao Qualistage, na Barra da Tijuca, com uma temporada que vai de 17 de janeiro a 10 de abril. Depois de duas edições cheias, a proposta se repete: levar a comédia para uma casa de shows, com estrutura grande, som e luz de espetáculo, e transformar a noite em evento de palco grande mesmo. A edição 2026 terá oito datas e mistura nomes consagrados com gente que vem crescendo forte no stand-up e no humor digital. A curadoria é da atriz e produtora Renata Castro Barbosa. Na estreia, em 17 de janeiro, quem fecha a noite é Nany People, com Flávia Reis no show e Xanda Dias na abertura. No fim do mês, 31 de janeiro, é dia de Rodrigo Marques, com abertura de Júnior Chicó. Em 7 de fevereiro, Luana Zucolotto assume o principal, com Jeffinho Farias abrindo. Março é o miolo mais “pesado” do festival. Em 7 de março, Tom Cavalcante volta aos palcos cariocas com abertura de Titela. No dia 20, o grupo Os Melhores do Mundo faz o show principal, com Paulinho Serra na abertura. Em 28 de março, Leandro Hassum chega com abertura de Gui Albuquerque. Abril fecha com duas noites. No dia 4, Rafael Portugal faz o principal e Priscila Castello Branco abre. E no encerramento, em 10 de abril, o festival termina com Paul Cabannes, o franco-brasileiro que ficou conhecido pelo olhar de “estrangeiro” sobre o cotidiano, com abertura de Osvaldo Barros. Agenda completa (datas, horários e links) O Qualistage fica na Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca, no Shopping Via Parque. A classificação informada é a partir de 18 anos. Os ingressos partem de R$ 47,50, com vendas online e também na bilheteria oficial do Via Parque (de segunda a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 13h às 20h, com variação em dias de show). Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Quando a ficha caía: o objeto esquecido que ensinou o carioca a entender o mundo

Screenshot Houve um tempo em que fazer uma ligação no Rio de Janeiro exigia planejamento, bolso atento e um pequeno ritual. Antes do celular, antes mesmo dos cartões telefônicos, havia a ficha telefônica — um objeto simples, pesado, metálico, que cabia na palma da mão e decidia se a conversa ia acontecer ou não. Quem viveu aquele tempo lembra bem. A ficha ficava guardada na carteira, no porta-luvas do carro, na gaveta da sala ou no bolso da calça. Era comum sair de casa “com ficha”, da mesma forma que se saía com chave. Sem ela, o telefone público virava apenas um marco urbano silencioso diante da urgência de um recado, de um atraso avisado às pressas, de uma ligação feita correndo, em pé, com o fone pesado apoiado no ombro. No Rio, essa história se confunde com a trajetória das empresas de telefonia que marcaram gerações e hoje já não existem mais. Vieram a Companhia Telefônica Brasileira, depois a Telerj, a Cetel e, por fim, a Telemar. Cada uma delas deixou sua marca não apenas nos postes, tampões de piso e cabos da cidade, mas no cotidiano mais banal do carioca: o ato de telefonar. Diferentemente de muitos países do exterior, onde o telefone público funcionava com moedas correntes — quarters, francs, liras —, o Brasil nunca conseguiu adotar esse sistema de forma estável. A hiperinflação tornava a moeda rapidamente obsoleta. O valor da ligação mudava, a moeda perdia poder de compra, e o telefone público precisava de algo mais previsível. A solução brasileira foi a ficha: um valor fixo, controlado, imune à corrosão diária da inflação galopante. Havia também o som. O tilintar metálico da ficha caindo dentro do aparelho era quase um selo de autorização para falar. Enquanto a conversa fluía, o tempo era medido não por relógio, mas pela ansiedade: quanto ainda resta? Vai cair a linha? Dá tempo de dizer tudo? Quando a ligação se encerrava, a ficha não voltava. Era um pequeno gasto, mas também um pequeno risco calculado. Foi desse gesto cotidiano que nasceu uma expressão que atravessou gerações e entrou definitivamente no vocabulário brasileiro: “caiu a ficha”. A frase, hoje usada para indicar compreensão súbita, entendimento tardio ou tomada de consciência, vem literalmente do momento em que a ficha finalmente despencava dentro do aparelho e a ligação começava. Antes disso, nada acontecia. A conversa só existia quando a ficha caía — e a ideia só fazia sentido quando, enfim, “caía” também na cabeça de quem falava. Os telefones públicos, aliás, nunca foram discretos. Pelo contrário: eram sempre chamativos, quase gritantes no espaço urbano. Vermelhos intensos, azuis vibrantes, pensados para serem vistos à distância em meio ao caos da cidade. Em calçadas, praças, esquinas e pontos de ônibus, aqueles aparelhos coloridos se tornaram parte da paisagem afetiva do Rio — referências visuais tão fortes quanto orelhões, postes ou bancas de jornal. Eram pontos de encontro improvisados, marcos de orientação e, muitas vezes, o último recurso de quem precisava falar com alguém. Com o tempo, a ficha desapareceu. Vieram os cartões telefônicos, coloridos, colecionáveis, com paisagens, datas comemorativas, campanhas institucionais. Também eles exigiam planejamento, também eles acabaram. Hoje, são apenas lembrança — assim como os próprios telefones públicos, cada vez mais raros, pálidos sobreviventes de uma cidade que já se comunicou de outra forma. A nostalgia é tão grande que a a loja Icebrg.br lançou um “pin” em formato da boa e velha ficha metálica: o anúncio de seu lançamento no Instagram teve quase 17.000 curtidas. Falar da ficha telefônica é falar de um Rio mais lento, mais analógico, mais paciente. Um Rio em que a comunicação tinha peso, custo e limite. Um tempo em que ninguém ficava “online”, mas todo mundo sabia onde havia um telefone público colorido — e, sobretudo, sabia que, sem ficha, nada acontecia. E que só depois que ela caía é que a conversa, enfim, começava. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Escolas mirins ganham mais dias na Sapucaí e abrem ensaios técnicos do Rio Carnaval 2026

Foto: Thiago Lara/ Riotur As escolas de samba mirins vão ganhar mais espaço na Marquês de Sapucaí no Rio Carnaval 2026. A novidade é a divisão dos desfiles em mais datas, dando mais dias para a criançada se apresentar. Além da tradicional sexta-feira (20/02), véspera do Sábado das Campeãs, haverá apresentações na abertura dos ensaios técnicos dos dias 31 de janeiro, 1º e 8 de fevereiro. O novo formato foi definido em sorteio na sede da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), quando os dirigentes das agremiações conheceram o calendário e a ordem das apresentações. A diretora cultural da Liesa, Evelyn Bastos, destacou o papel das mirins na formação do carnaval. “As escolas mirins são a base do nosso carnaval. É aqui que nascem futuros ritmistas, passistas, intérpretes, casais de mestre-sala e porta-bandeira e tantos outros componentes”. Ordem dos desfiles das escolas de samba mirins na Sapucaí Sábado — 31 de janeiro (início 18h)1- Miúda da Cabuçu2- Inocentes da Caprichosos3- Império do Futuro Domingo — 1º de fevereiro (início 17h30)1- Golfinhos do Rio de Janeiro2- Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy3- Petizes da Penha Domingo — 8 de fevereiro (início 18h)1- Corações Unidos do CIEP2- Nova Geração da Estácio de Sá Sexta-feira — 20 de fevereiro (início 17h)1- Infantes do Lins2- Herdeiros da Vila3- Pimpolhos da Grande Rio4- Tijuquinha do Borel5- Estrelinha da Mocidade6- Mangueira do Amanhã7- Aprendizes do Salgueiro8- Sonho do Beija-Flor9- Filhos da Águia10- Crias Imperatriz11- Netinhos do Tuiuti12- Virando Esperança Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Rio pode bater 40°C neste final de semana e praias viram alívio contra o calor intenso

Cariocas e turistas vão à praia em dia de forte calor no Rio de Janeiro – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil O verão resolveu mostrar sua força máxima no Rio. O fim de semana deve registrar temperaturas elevadas, céu aberto e condições favoráveis para quem pretende ir à praia. Segundo a previsão do tempo, a cidade pode chegar aos 40°C no domingo (11) — marca que, se confirmada, torna o Rio a primeira capital brasileira a atingir essa temperatura em 2026. Neste sábado (10), a atuação de um sistema de alta pressão mantém o tempo firme em toda a cidade. O céu varia entre claro e poucas nuvens, sem previsão de chuva. Os ventos sopram de forma moderada, com rajadas ocasionalmente mais fortes, e os termômetros seguem elevados, com máxima prevista de 39°C. No domingo, o calor se intensifica. A mínima deve ficar em torno de 21°C, enquanto a máxima pode alcançar os 40°C, elevando o alerta para os riscos à saúde. A recomendação é reforçar os cuidados básicos, manter-se hidratado, usar roupas leves, evitar atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h e priorizar alimentos mais leves, como frutas, saladas e refeições frias. Praia liberada, mas com atenção ao mar Com o calorão, cariocas e turistas devem lotar a orla neste final de semana. O mar não estará completamente calmo, mas não há previsão de ressaca. De acordo com o Climatempo, as ondas devem ficar entre 1,0 metro e 1,5 metro, sem grandes riscos para o banho. O boletim mais recente de balneabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) indica que a maior parte das praias do Rio está própria para banho. Alguns trechos, no entanto, seguem impróprios, como Glória, Barra de Guaratiba, Barra da Tijuca em frente à Rua Sargento João de Faria, Ipanema na altura da Rua Joana Angélica, Arpoador, Botafogo e Flamengo, na foz do Rio Carioca. Em Niterói, a situação é favorável. As praias de Piratininga, Camboinhas, Flechas, Icaraí, São Francisco, Charitas, Itaipu e Itacoatiara estão próprias para banho em todos os trechos. Na Ilha do Governador, as praias da Bica e da Ribeira também estão liberadas para o mergulho. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Executiva estadual do PT reage a articulação por André Ceciliano e reafirma apoio a Eduardo Paes no Rio

Eduardo Paes e Lula juntos na Portela (Foto: Divulgação) A executiva estadual do PT no Rio divulgou, neste sábado (10/01), uma nota em que entra de vez na disputa interna sobre a eleição para o governo do estado. O texto, comandado pelo grupo que dirige o partido sob Diego Zeidan, condena o que chama de “projetos individuais” e tenta frear a articulação de um setor petista que quer lançar o secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano (PT), como candidato. Com informações do portal Tempo Real. O pano de fundo é a sucessão no Palácio Guanabara. A aposta é que Cláudio Castro (PL) renuncie para disputar uma vaga ao Senado, abrindo espaço para um governador tampão escolhido pela Alerj, que ficaria no cargo até dezembro. No PT, parte da militância e de lideranças defende que o partido tenha candidatura própria, em especial porque há resistência ao nome do prefeito Eduardo Paes (PSD). A nota da direção estadual faz o caminho oposto. Ela reafirma que Eduardo Paes é o candidato apoiado pelo partido e diz não reconhecer, nem autorizar, manifestações internas que caminhem em outra direção. Na postagem, o PT amarra a decisão ao plano nacional de 2026 e à formação de um palanque competitivo no estado. “Nossa prioridade absoluta é derrotar o bolsonarismo e garantir a reeleição do presidente @lulaoficial. No Rio de Janeiro, isso passa pela construção de um palanque forte, amplo e competitivo, capaz de enfrentar a extrema direita no seu berço”, diz a mensagem, segundo a executiva estadual do PT. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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