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Alta de quase 60% nos apps faz carioca voltar ao táxi e à carona

Ponto de táxi na região central do Rio de Janeiro – Foto: Daniel Martins/Diário do Rio Pedir um carro por aplicativo, chegar rápido e pagar pouco virou exceção. A disparada nos preços do transporte por app, sentida ao longo de 2025 e confirmada pelos números do IBGE, está mudando a rotina de quem depende desse tipo de serviço no Rio de Janeiro e em outras capitais. Táxi tradicional, transporte público e até carona com amigos e familiares voltaram a ganhar espaço. As informações são da CBN. De acordo com o levantamento oficial, a categoria “transporte por aplicativo” foi a que mais subiu dentro do IPCA no ano passado, com alta média de 56% no país. Em cidades como Recife, Vitória, Rio, Porto Alegre e Brasília, o aumento foi ainda maior. Na capital gaúcha, os preços chegaram a subir 83,4%. A atriz e produtora cultural Vitoria Rodrigues, de Porto Alegre, conta que precisou reorganizar a rotina da família para reduzir o uso dos aplicativos. “A gente tem feito essas divisões mais precisas do carro pra não pegar aplicativo. Quando a tarifa está barata, é certeza que eles não vão vir. Tem que esperar ficar caro pra alguém aceitar”, relata. Segundo ela, a mudança afeta o dia a dia. “Isso impacta a rotina. Tem que sair mais cedo, se programar melhor”, diz. Do outro lado, motoristas afirmam que o aumento não chega a quem está ao volante. O presidente da Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil, Paulo Xavier, diz que a percepção é de perda de renda. “Nós motoristas não temos recebido esse aumento. A plataforma retém cada vez mais. Muitas vezes, se aceitar uma corrida muito baixa, o motorista paga para trabalhar”, afirma. Com preços mais previsíveis, o táxi tradicional voltou a ser opção. Em 2025, a inflação média dos táxis ficou em 9,46%. No Rio, o aplicativo Táxi Rio, da prefeitura, oferece descontos que podem chegar a 40%. O consultor de vendas João Victor Oliveira diz que aderiu ao serviço. “Às vezes o Uber dá R$ 30. No Táxi Rio também dá R$ 30, mas com desconto de 10%, 20% ou até 40%. Fora a segurança e o motorista registrado”, conta. Simulações feitas pela CBN em horários de pico mostram a diferença. Em um trajeto entre o Aeroporto Santos Dumont e o Copacabana Palace, o preço variava de R$ 66 no app 99 e R$ 36 no Uber, enquanto no Táxi Rio ficava entre R$ 26 e R$ 43, dependendo do desconto. Em São Paulo, entre Congonhas e a Avenida Paulista, o táxi também apareceu competitivo em relação aos apps. O economista André Braz, do FGV IBRE, explica que os preços dos aplicativos seguem a lógica da oferta e da procura. “Em períodos de festas, férias e Carnaval, a demanda sobe e os preços acompanham. Passada a alta temporada, parte desse aumento tende a recuar”, avalia. No Rio, os reajustes também chamaram a atenção dos órgãos de defesa do consumidor. O Procon-RJ autuou Uber e 99 em dezembro, após considerar insuficientes as explicações apresentadas pelas empresas. O processo administrativo segue em andamento. Procurada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, que representa Uber e 99, afirmou que os preços buscam equilibrar demanda e oferta e questionou a metodologia do IPCA. A entidade citou ainda uma pesquisa do Cebrap que aponta aumento real na remuneração dos motoristas entre 2023 e 2024. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Apoio a Benedita ou jogo duplo? A promessa de Paes sob desconfiança

Foto Ricardo Stuckert Um anúncio que pede prova O anúncio de que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, teria garantido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoio à Deputada Benedita da Silva na disputa pelo Senado caiu como uma bomba no tabuleiro político fluminense. Considerando a histórica fama de Eduardo Paes de ser um político que não cumpre suas promessas, sejam as dirigidas aos políticos, aos cidadãos ou aos servidores, a pergunta que se impõe, desde então, é simples e incômoda: esse apoio é para valer ou é apenas “para inglês ver”? O contexto da promessa feita no Planalto Segundo noticiado pelo jornal O Globo, no dia 15 de janeiro, o prefeito Eduardo Paes correu ao Planalto para uma conversa reservada com Luiz Inácio Lula da Silva após crescer, no Partido dos Trabalhadores (PT), a desconfiança sobre sua lealdade eleitoral no Rio. Paes teria avisado que deixará a Prefeitura em 20 de março para disputar o governo estadual, prometeu apoio à candidatura de Benedita da Silva ao Senado e tentou conter o mal-estar provocado por seus acenos ao bolsonarismo. O pano de fundo é o temor do prefeito de uma articulação entre o Partido dos Trabalhadores e Rodrigo Bacellar, que poderia levar André Ceciliano ao governo interino via eleição indireta na Alerj. Embora o gesto do prefeito tenha sido bem recebido, o texto da matéria aponta que a confiança do Planalto permanece cautelosa, diante das incertezas sobre alianças nacionais e do histórico recente de flertes de Paes com a direita no estado. Política em estado bruto. O problema central: e Pedro Paulo, fica onde nessa história? A dificuldade dessa narrativa começa quando se observa que o principal representante de Eduardo Paes no Congresso Nacional é o deputado federal Pedro “PEC da Blindagem” Paulo. E Pedro Paulo não é um coadjuvante qualquer. Ao contrário: ele é peça-chave do projeto político de Paes em Brasília. Por isso, enquanto não houver a desistência formal de Pedro Paulo da pré-candidatura ao Senado, o tal apoio à Benedita continuará sob suspeita. Fica difícil acreditar que o Eduardo Paes não fará tudo para o Pedro Paulo virar Senador, pois, se a Benedita e não o Pedro Paulo for a eleita, Paes perderá seu principal articulador em Brasília. Mesmo sabendo que teremos duas vagas para o Senado neste ano, o Paes não teria o poder de ocupar essas duas vagas com seus indicados. Logo, ele terá que privilegiar a campanha de um dos dois. Quem será? A Benedita ou o seu principal articulador político em Brasília, o Pedro Paulo. Creio que esta pergunta tem uma resposta óbvia. O “Caçador de Servidores Concursados” Pedro Paulo ganhou, com justiça, o apelido de “Caçador de Servidores Públicos Concursados”. O motivo é concreto e documentado: ele coordenou o grupo de trabalho e é o atual relator da última versão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Administrativa, aquela que incentiva a contratação temporária em substituição aos concursos públicos. Algo que a prefeitura de Paes já faz amiúde e que este deverá levar esse “amor” por contratos temporários, por nomeações políticas travestidas de cargos de confiança e por terceirizações, e seu ódio pelos servidores concursados também para o Estado, caso seja eleito governador neste ano. E aqui é preciso explicar com clareza: Contratação temporária cria um vínculo precário, pessoal e politicamente dependente; O contratado temporário, ao buscar a renovação sucessiva de seu vínculo — que, no âmbito da Prefeitura do Rio de Janeiro, pode se estender por até seis anos — corre o risco de não se orientar primordialmente pela Constituição e pela legislação, mas de se submeter à vontade de quem o contratou; Se não seguir ordens — mesmo que ilegais ou inadequadas — correrá o risco de não ter seu contrato temporário renovado. Já o servidor concursado tem estabilidade exatamente para não se submeter a pressões políticas, respondendo apenas à lei e à Constituição. É por isso que aquela PEC não é neutra: ela fragiliza o Estado e fortalece o controle político sobre a máquina pública. E o Deputado Pedro Paulo tem um papel relevante nesse mister no Congresso Nacional, seja como Deputado Federal ou, com mais poder, como Senador. A pré-candidatura de Pedro Paulo ao Senado já está posta Na prática, não se trata sequer de uma hipótese distante. A pré-candidatura de Pedro Paulo ao Senado já foi anunciada, aproveitando o vácuo deixado por Flávio Bolsonaro, que passou a se colocar como pré-candidato à Presidência da República. A movimentação foi detalhada em 6 de dezembro passado, conforme informado em reportagem de Berenice Seara, no Tempo Real, sobre um jantar no restaurante Satyricon, em Ipanema, no qual se definiu a estratégia do PSD para 2026. Pedro Paulo na vaga do Senado; e a disputa pela candidatura a deputado federal entre Guilherme Schleder e Márcio Ribeiro. Ou seja: o projeto da campanha de Pedro Paulo ao Senado está em curso, organizado e publicamente assumido. A contradição que não fecha É aqui que a conta não fecha. Se Eduardo Paes realmente pretende apoiar Benedita da Silva ao Senado, isso implica abrir mão de Pedro Paulo nessa disputa. E abrir mão de Pedro Paulo significa abrir mão de seu principal operador político no Congresso Nacional — justamente o relator da reforma administrativa que atende a seus interesses. Alguém acredita que Paes vai preferir fazer campanha para a Benedita, pouco se importando com o “desemprego” do Pedro Paulo, caso ele perca a eleição para o Senado? A resposta é óbvia. Apoio real exige gesto concreto Enquanto Pedro Paulo seguir pré-candidato ao Senado, todo aquele discurso de apoio à Benedita será, inevitavelmente, visto como retórica eleitoral, um gesto simbólico para acalmar o Planalto, não um compromisso efetivo. Assim sendo, o Lula e o PT têm toda a razão em se manterem cautelosos com aquela declaração de Paes de apoio à Benedita. A política é feita de sinais claros, não de declarações vagas. O sinal inequívoco, neste caso, seria a desistência formal de Pedro “PEC da Blindagem” Paulo da corrida

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Quando as notícias se repetem: crimes, incêndios e o abandono do patrimônio histórico carioca

Desabamento de casarão no Arco do Teles, Centro do Rio, em 7 de outubro de 2023 – Foto: Diário do Rio Nos últimos dias, três notícias distintas — e ao mesmo tempo inquietantemente semelhantes — voltaram a expor a fragilidade estrutural da política de preservação do patrimônio histórico no Rio de Janeiro. A primeira, trazida aqui no Diário do Rio, trata da investigação de uma organização criminosa suspeita de desviar cerca de meio bilhão de reais de instituições de caridade no Centro da cidade, muitas delas instaladas em imóveis históricos, alguns fechados há anos, como a Igreja da Conceição e Boa Morte. A segunda noticia o incêndio de um casarão na Lapa, onde funcionava uma antiga boate: mais um exemplar do casario histórico do referido bairroconsumido pelas chamas em um cenário de abandono, uso precário ou ausência total de manutenção. A terceira, exibida pelo Bom Dia Rio, apresenta a louvável campanha do IPHAN para este Carnaval, voltada ao uso consciente e à preservação dos prédios históricos diante do uso intensivo do espaço urbano. Tomadas em conjunto, essas notícias suscitam uma pergunta incômoda, mas inevitável: não parecem todas variações da mesma tragédia anunciada? Mudam os atores, mudam as circunstâncias imediatas, mas o pano de fundo é sempre o mesmo — ausência de conservação preventiva, monitoramento insuficiente, imóveis históricos fechados por longos períodos, risco constante de incêndio, depredação e uso indevido. O que se vê é um Estado — e uma sociedade — que seguem reagindo aos desastres, em vez de estruturar mecanismos para evitá-los. No caso das instituições de caridade no Centro do Rio, é fundamental reconhecer e elogiar o esforço da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que tem atuado ativamente para apurar irregularidades, proteger o patrimônio sob sua responsabilidade e colaborar com as autoridades. Trata-se de uma postura institucional responsável, que compreende que a defesa do patrimônio cultural passa também pela boa governança, pela transparência e pela vigilância permanente. Ainda assim, o episódio revela um problema maior: edifícios históricos fechados, subutilizados ou abandonados tornam-se presas fáceis — não apenas para crimes financeiros, mas também para incêndios, invasões e deterioração acelerada. O incêndio do casarão na Lapa é outro sintoma dessa mesma lógica perversa. Não se trata de um evento excepcional, mas de mais um capítulo de uma recorrência que deveria impressionar, mas parece ter se tornado banal.Casarões históricos sem uso contínuo, sem manutenção regular, sem sistemas básicos de prevenção e combate a incêndio, tornam-se armadilhas. Quando queimam, perde-se não apenas um imóvel, mas camadas inteiras de memória urbana, técnicas construtivas, ambiências e possibilidades futuras de requalificação. Cada incêndio desses é também uma derrota coletiva, fruto de omissão prolongada. Nesse contexto, ganha relevo a campanha recente do IPHAN durante o Carnaval, chamando atenção para o cuidado com os bens históricos em meio às grandes aglomerações e ao uso intensivo do espaço público. A iniciativa é louvável e necessária, sobretudo por reforçar a ideia de que o patrimônio não é obstáculo à festa, mas parte constitutiva da experiência urbana e cultural do Rio de Janeiro. Que ações dessa natureza possam se alastrar pelos bairros históricos da cidade e se repetir ao longo de todo o calendário festivo — pródigo em eventos, mas ainda inconsistente em garantir a permanência da riqueza material que serve de pano de fundo para o deslumbramento de turistas e diletantes. Não obstante, é mister reconhecer: campanhas de conscientização, embora fundamentais, não substituem políticas estruturantes de preservação e conservação preventiva. A pergunta central permanece: por que, até hoje, não foi estabelecido um plano integrado de preservação e conservação preventiva dos edifícios históricos do Rio de Janeiro? Um plano que mapeasse riscos, monitorasse imóveis fechados por longos períodos, implantasse protocolos mínimos de segurança, articulasse responsabilidades entre União, Estado, Município, proprietários e detentores, e atuasse antes que o desastre acontecesse. Cada esfera do poder público poderia contribuir de maneira objetiva. O município, por exemplo, detém instrumentos de fiscalização urbana, licenciamento e uso do solo; o estado pode estruturar ações de defesa civil, corpo de bombeiros e políticas regionais de cultura; a União possui expertise técnica, capacidade normativa e instrumentos de articulação nacional. Falta, porém, coordenação contínua, e não apenas respostas pontuais a crises. Nesse sentido, é absolutamente plausível — e desejável — a criação de um centro de monitoramento ou observatório do patrimônio cultural do Rio de Janeiro. Um espaço técnico, interinstitucional, capaz de reunir dados sobre imóveis históricos, mapear vulnerabilidades, acompanhar usos, identificar riscos iminentes e acionar preventivamente os órgãos competentes. Nada disso é futurismo: trata-se de governança básica aplicada a um patrimônio urbano de valor inestimável. Há ainda um outro ponto que precisa ser enfrentado sem rodeios. Grandes eventos que se beneficiam diretamente do valor simbólico e visual do Centro do Rio — desfiles de clubes de futebol, grandes escolas de samba, blocos milionários, megafestas — utilizam espaços públicos de altíssimo valor histórico e cultural. Por que não exigir, como contrapartida objetiva, a destinação de recursos para a conservação desses mesmos espaços? O Centro do Rio não é apenas cenário: é patrimônio vivo, que agrega valor econômico, estético e simbólico a esses eventos. Vincular o uso intensivo desses logradouros a investimentos obrigatórios em preservação não seria penalização, mas responsabilidade compartilhada. Ao final, as três notícias que motivam esta reflexão convergem para uma constatação desconfortável: o Rio de Janeiro ainda trata seu patrimônio de forma episódica, reativa e fragmentada. E isso apesar de esforços relevantes — como os da Arquidiocese do Rio de Janeiro e do IPHAN — que demonstram que há caminhos possíveis quando há compromisso institucional. É preciso, portanto, transformar exceções em sistema. Planejamento permanente, conservação preventiva, monitoramento contínuo, corresponsabilização entre poder público, instituições, usuários do espaço urbano e grandes promotores de eventos. O patrimônio histórico do Rio não pode continuar sobrevivendo à base de campanhas emergenciais, lamentações pós-incêndio ou investigações tardias. Preservar não é apenas restaurar depois da perda. Preservar é evitar que ela aconteça. E essa é uma dívida antiga que a cidade — e seus gestores — ainda precisam saldar com sua própria história. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Quando o Ministério Público funciona como deve: autonomia entre promotorias fortalece a democracia

Divulgação MPRJ Um caso concreto que explica uma garantia constitucional A matéria intitulada “Promotoria arquiva denúncia sobre prédio em Botafogo; FGV confirma interesse e Sendas vai à Justiça”, publicada em 22 de janeiro de 2026, traz um relato que merece atenção — e elogio. Ela mostra, na prática, algo que muitos desconhecem ou podem estranhar: uma promotoria do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) arquivou uma investigação, enquanto outra promotoria do mesmo Ministério Público abriu inquérito sobre o mesmo fato. Isso não é erro, não é contradição institucional e não é bagunça. É exatamente como o sistema constitucional foi desenhado. Veja essa matéria no seguinte sítio: O que diz a matéria: dois olhares legítimos dentro do mesmo MP Segundo a reportagem, a 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro decidiu arquivar a denúncia que questionava a desapropriação de um prédio em Botafogo, por entender que não havia indícios concretos de ilegalidade, desvio de finalidade ou abuso de poder. Ao mesmo tempo, a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Urbanismo da Capital instaurou inquérito civil para apurar exatamente se houve: ausência de motivação técnica; eventual desvio de finalidade; inadequação do instrumento da desapropriação ao caso concreto. Duas promotorias, dois enfoques, duas atribuições distintas, ambas legítimas. E isso é excelente. Por que isso é bom — e não ruim Esse episódio demonstra, com clareza: que não existe hierarquia funcional entre promotorias; que cada promotoria atua com autonomia técnica; que arquivamento por uma não impede atuação da outra, se houver atribuição ou entendimento diverso. Se o Ministério Público funcionasse como um órgão hierárquico clássico, uma decisão encerraria tudo. Mas ele não funciona assim — por uma razão simples: a Constituição não quis que fosse assim. O Ministério Público não é uma repartição hierarquizada O Ministério Público não segue o modelo de comando e obediência típico do Executivo. Embora exista um Procurador-Geral: ele administra a instituição; ele não manda no mérito das atuações; ele não determina arquivamentos ou denúncias. Cada promotor decide segundo sua convicção jurídica, com base: na Constituição; na lei; na análise técnica do caso concreto. Isso se chama independência funcional. Independência funcional: garantia da sociedade, não privilégio corporativo A Constituição estabelece três princípios institucionais do Ministério Público: unidade; indivisibilidade; independência funcional. Na prática, isso significa que o promotor: não recebe ordens sobre como agir em um caso concreto; não é obrigado a seguir “linha oficial”; não pode ser punido por discordar juridicamente. Se isso não existisse, o MP poderia virar um braço do governo da vez. A independência entre promotorias: a camada menos compreendida (e mais importante) Além da independência em relação à chefia, há outra garantia essencial: a independência entre as próprias promotorias. No Ministério Público: uma promotoria não manda na outra; uma promotoria especializada não é instância superior; promotor da capital não manda em promotor do interior; promotor de área “mais visível” não hierarquiza outro. Cada promotoria é funcionalmente autônoma. O caso da desapropriação em Botafogo, sob suspeita de ter sido feita para beneficiar a Fundação Getulio Vargas (FGV) ilustra isso de forma exemplar. Unidade institucional não significa pensamento único O Ministério Público é uno enquanto instituição, mas: não é uno em pensamento; não é uno em estratégia; não é uno em interpretação jurídica. E isso é proposital. Se todas as promotorias fossem obrigadas a pensar igual, bastaria capturar a cúpula para capturar toda a instituição. Coordenação existe, subordinação não É legítimo haver: recomendações; notas técnicas; grupos de trabalho; orientações gerais. Mas nada disso é: vinculante no mérito; impositivo; passível de punição por discordância técnica. Quando “coordenação” vira imposição, há violação direta da Constituição. Controle existe — mas é jurídico, não político A independência funcional não é salvo-conduto. O promotor: responde por abuso ou omissão; tem seus atos controlados pelo Judiciário; está sujeito ao Conselho Nacional do Ministério Público. O que não existe — e não pode existir — é controle por conveniência política. Há também o perigo do controle e interferência por conveniência pessoal ou familiar. Isso ocorre quando um promotor (a) casado(a) com dirigente municipal faz gestões no MP nas ações em ato daquele dirigente que está sendo investigado. O caso da desapropriação em Botafogo como exemplo saudável do sistema Voltemos ao caso concreto. Uma promotoria arquiva. Outra investiga. Nenhuma interfere na outra. Nenhuma pune a outra. Nenhuma é “corrigida” por discordar. Isso é o Ministério Público funcionando corretamente. É assim que se evita: abafamento de investigações; alinhamento forçado; uso político da instituição. Quando a divergência institucional protege a democracia O episódio relatado na matéria jornalística não revela fragilidade do Ministério Público. Revela força institucional. A autonomia entre promotorias: impede captura política; garante pluralidade jurídica; protege o interesse público; fortalece a democracia. Num país acostumado a confundir hierarquia com eficiência, é preciso dizer com todas as letras: No Ministério Público, a divergência técnica é uma virtude institucional. E quando isso acontece na prática — como no caso sob análise — quem ganha é a sociedade. Um reconhecimento necessário: as Promotorias de Urbanismo e de Meio Ambiente como guardiãs da cidade É mais do que justo registrar um elogio explícito à atuação das Promotorias de Urbanismo e de Meio Ambiente do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Basta acompanhar os noticiários, para ver a pronta diligência delas contra os malfeitos e omissões da Prefeitura em termos de urbanização e meio ambiente de nossa cidade. Trata-se de promotorias que, independentemente de quem esteja no comando da Prefeitura, vem exercendo de forma firme, técnica e coerente o seu papel constitucional de defesa da cidade e do interesse público urbanístico. Basta observar o conjunto de ações judiciais propostas, inquéritos civis instaurados e investigações conduzidas ao longo dos últimos anos para perceber que não se trata de atuação episódica, mas de postura institucional consistente. Essas atuações têm sido fundamentais para conter o uso indevido do poder urbanístico como instrumento de favorecimento de terceiros e de arrecadação pela Prefeitura, para enfrentar o

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PM apreende mais de 80 objetos perfurocortantes no 1º fim de semana de megablocos no Centro do Rio

Objetos perfurocortantes apreendidos pela PM no primeiro fim de semana de megablocos no Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 – Foto: Divulgação Policiais militares apreenderam 82 objetos perfurocortantes durante ações preventivas realizadas nos cortejos Chá da Alice, no último sábado (24/01), e Bloco da Lexa, neste domingo (25/01), ambos na região central do Rio de Janeiro. De acordo com o Governo do RJ, por meio da Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), ao todo, foram mobilizados 1.410 agentes para os dois dias de megablocos, que atuaram em toda a região do Circuito Preta Gil, que começa na Praça da Candelária, passa pela Rua Primeiro de Março e pela Avenida Presidente Antônio Carlos e termina perto do Aterro do Flamengo. Nesse perímetro, foram colocadas torres de observação, além da realização de monitoramento aéreo através de helicóptero e drones do Grupamento Aeromóvel (GAM), que contam com câmeras equipadas com software de reconhecimento facial. O policiamento no trajeto dos megablocos também contou com equipes do Grupamento de Patrulhamento em Multidão (GPM), que atuaram entre os foliões com foco na prevenção de tumultos. Identificados pelo capacete branco, os referidos agentes são lotados no Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) e possuem expertise nesse tipo de trabalho. ”A segurança pública é um pilar fundamental para o sucesso do carnaval de rua do Rio de Janeiro, um evento que atrai milhões de foliões e movimenta significativamente a economia do estado. E a Polícia Militar através de um grande planejamento de segurança, que envolve dezenas de milhares de policiais, tecnologia e equipamentos visa não apenas a redução de crimes, mas a garantia de que o carnaval de rua ocorra de forma ordenada e segura para cariocas e turistas”, diz o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, secretário estadual de Polícia Militar. A coordenação do policiamento ficou centralizada em um carro-comando estacionado nas proximidades do Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), na Avenida Presidente Antônio Carlos. Imagens geradas por câmeras de monitoramento foram acompanhadas em tempo real pelas equipes da área de tecnologia da PMERJ. O trabalho da SEPM também contou com agentes do Regimento de Polícia Montada (RPMont), com patrulhamento na Central do Brasil e na Cinelândia, além de equipes do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e de uma Unidade de Controle de Distúrbios (UCD), vinculada ao Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Foliões lotam trens da SuperVia em bloco que vai do Centro do Rio à Baixada Fluminense

Foliões do bloco Caxias Water Planet na estação de trem Duque de Caxias, no RJ – Foto: Gabriella Falcão/Carnabendita Milhares de foliões curtiram, neste domingo (25/01), o bloco carnavalesco Caxias Water Planet, que saiu da região central do Rio de Janeiro com destino à Baixada Fluminense. O bloco celebrou o aniversário do saxofonista Tarcísio Cisão Cisão e apostou, em 2026, no tema ”Da Água para o Vinho”, exaltando os deuses Poseidon, Iara, Iemanjá e Dionísio. A concentração dos foliões começou por volta das 6h30, na Central do Brasil. De lá, o bloco seguiu, via trens da SuperVia, para a estação Duque de Caxias, onde o público desembarcou e, posteriormente, lotou as ruas do Centro do referido município ”baixadense”. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Última semana de janeiro no Rio deve ser chuvosa, mas com 1 dia de trégua; veja qual

Advertisement Receba notícias no WhatsApp e e-mail Imagem meramente ilustrativa de dia chuvoso no Rio de Janeiro – Foto: Alexandre Macieira/Riotur A última semana de janeiro no município do Rio deve ser majoritariamente chuvosa, de acordo com o site especializado em meteorologia ”Climatempo”. Nesta segunda-feira (26/01) e também na terça (27/01), a capital fluminense terá sol em meio a nuvens, com possibilidade de pancadas de chuva à tarde e à noite. Os termômetros marcarão entre 21 e 32 graus. Já na quarta (28/01), a tendência é de períodos nublados, mas sem precipitações. As temperaturas variarão de 23º? a 31ºC. Na quinta (29/01) e na sexta (30/01), a Cidade Maravilhosa deve ter chuva rápida durante o dia e à noite. Os termômetros marcarão entre 23 e 32 graus. Por fim, no sábado (31/01) e no domingo (01/02), a previsão é de chuva passageira durante o dia e tempo firme à noite, com temperaturas de 23º? a 31ºC. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Raphael Fernandes é jornalista, baixista e apaixonado por futebol. Integra a equipe do DIÁRIO DO RIO desde fevereiro de 2019 e, paralelamente, atua como repórter no radialismo esportivo carioca. Source link

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Bloco da Lexa lota a Primeiro de Março e puxa domingo de megablocos no Centro do Rio

Foto: Alex Ferro O domingo (25) começou cedo no Centro do Rio e com cara de Carnaval. Encerrando o primeiro fim de semana de festas no circuito de megablocos Preta Gil, o Bloco da Lexa tomou a Rua Primeiro de Março e arrastou uma multidão logo pela manhã, com a cantora no alto do trio elétrico puxando um coro a céu aberto. Confira a lista dos blocos de rua do Rio de Janeiro em 2026. A presença de público foi celebrada pela Riotur. “O segundo dia de megabloco e este segundo fim de semana de blocos confirmam que o Rio já está completamente tomado pelo espírito do Carnaval”, afirmou Bernardo Fellows, presidente da Riotur. “A cidade vive uma ocupação intensa, alegre e diversa dos espaços públicos, com milhões de pessoas nas ruas celebrando de forma organizada, segura e democrática”, completou. A apresentação marcou o retorno de Lexa aos blocos de rua no Rio, depois de um ano afastada da folia. Um dos nomes mais populares do funk e do pop, ela subiu no trio com figurino pensado para homenagear a pluralidade musical brasileira, tema escolhido para o Carnaval de 2026. Emocionada, a cantora falou da volta ao circuito. “Voltar é um sinal que a vida continua e que eu sou muito forte. Eu amo fazer isso, estou muito feliz de estar realizando o bloco hoje. Faço porque sou apaixonada”, disse Lexa. Logo na abertura, ela cantou um cover de “Sinais de Fogo”, sucesso de Preta Gil, celebrando a artista que dá nome ao circuito de megablocos do Rio. No repertório, vieram hits como “Sapequinha”, “Chama Ela” e “Só Depois do Carnaval”, além de músicas como “Combatchy”, parceria com Anitta e Luísa Sonza, e “Amiga com Amiga”, lançada na última semana com MC GW e MC Carol. O trio ainda recebeu participações de artistas como Lorena Simpson, MC Nito, Lenny e DJ Jhury. O encerramento ficou por conta de Naldo Benny, que dividiu o fim do desfile com Lexa. No fim, a cantora disse que o Carnaval de rua ajuda a aproximar o público. “Acho que aproximei mais do público porque os blocos de rua, o show gratuito, viabiliza com que as pessoas vejam todo o meu trabalho e não gastem. Eu nasci no Carnaval, digo que sou cria do Carnaval”, afirmou. “Ver o meu trabalho indo tão longe é muito importante”, completou. Só Caminha leva clima mais leve ao Humaitá A folia também se espalhou por outros pontos da cidade. No Humaitá, na Zona Sul, o tradicional Só Caminha desfilou no Largo dos Leões e reuniu quem preferiu um bloco com menos aperto e mais clima de bairro. O tema deste ano foi de contos de fadas, escolhido, segundo a produção, para estimular fantasias e agradar público infanto-juvenil e adulto. Um dos fundadores, Gabriel Antunez, reforçou o perfil do bloco. “O nosso bloco é para as pessoas do Rio, da comunidade em nosso entorno. A ideia é fazer um bloco que seja família, que seja entre amigos”, contou. “Não toleramos brigas. Se acontecer algo, a gente tira e o bloco não recomeça até tudo estar organizado”, disse. Criado em 2009 por um grupo de amigos de Botafogo e Humaitá, o Só Caminha hoje tem cerca de 100 integrantes na bateria, comandada pelo mestre Caliquinho, conhecido pela passagem na Fiel Bateria da escola de samba São Clemente. “Quando nós criamos o bloco, todo mundo estava na faixa dos 20. A gente gostava de samba, frequentava as rodas e começou a tocar em blocos de rua”, lembrou o organizador. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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Lançamentos imobiliários no Rio sobem 7% em 2025 e preço médio cresce 9%

Os lançamentos imobiliários no Rio de Janeiro cresceram 7% em 2025, segundo estudo da Brain Inteligência Estratégica. Advertisement Receba notícias no WhatsApp e e-mail Foto: Divulgação/Cury O mercado de lançamentos imobiliários no Rio de Janeiro fechou 2025 em alta. Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta crescimento de 7% no volume de novos empreendimentos colocados no mercado ao longo do ano. O estudo também indica aumento no preço médio de venda das unidades: alta de 9% em 2025, mesmo com inflação de 4,2% no período. Ao mesmo tempo, o número de unidades ofertadas caiu 4,5%. Na prática, o dado sugere um ano com mais lançamentos, mas com projetos menores, com menos apartamentos por empreendimento. Na divisão por bairros, o Santo Cristo aparece como o principal polo de novos lançamentos, concentrando 25% do total. Na sequência vêm Barra da Tijuca (21%) e Barra Olímpica (11%). Receba notícias no WhatsApp e e-mail Diretor-Executivo do Diário do Rio e defensor do Carioca Way of Life Source link

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1º Fla-Flu de 2026 ocorre neste domingo; veja prováveis escalações

Carrascal e Canobbio em Fluminense x Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro 2025, no Maracanã – Foto: Adriano Fontes/Flamengo Neste domingo (25/01), Fluminense e Flamengo se enfrentam pela primeira vez em 2026. A partida, válida pela 4ª rodada da Taça Guanabara, fase de grupos do Campeonato Carioca, ocorre às 18h (de Brasília), no Maracanã. Pelo lado tricolor, mandante do jogo, o auxiliar Maxi Cuberas, que comanda a equipe neste início de temporada devido à ausência do técnico Luis Zubeldía, que passou recentemente por um procedimento no coração, deve mandar a campo um time mesclado, visando a estreia do Flu no Campeonato Brasileiro, na próxima quarta-feira (28/01), contra o Grêmio, também no Maracanã. O Fluminense deve jogar o clássico carioca com Fábio; Guga, Jemmes, Freytes e Guilherme Arana; Martinelli, Nonato e Lucho Acosta; Canobbio, Serna e Everaldo. No Rubro-Negro, a situação é parecida. O treinador, Filipe Luís, prioriza também o Brasileirão, onde enfrenta o São Paulo na 1ª rodada, também na quarta, e a Supercopa do Brasil, no próximo domingo (01/02), contra o Corinthians. O Fla deve jogar contra o Flu com Andrew; Varela, Léo Ortiz, Vitão e Daniel Salles; Pulgar, Evertton Araújo e Carrascal; Luiz Araújo, Samuel Lino e Pedro. No momento, o Fluminense ocupa o 2º lugar no Grupo A do Estadual, com 6 pontos. Já o Flamengo está na 5ª colocação no Grupo B, com 4 pontos. Receba notícias no WhatsApp e e-mail Source link

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