Casa própria: Intenções de compra entre jovens

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O QuintoAndar e a Ipsos-Ipec divulgaram à imprensa nesta quarta-feira (3) os primeiros resultados da pesquisa “Retratos do Morar: Como vivem e sonham as gerações de brasileiros”, que traça um retrato atual do comportamento habitacional no país. O estudo ouviu 2.485 brasileiros com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, em todas as regiões, entre 14 e 31 de agosto de 2025.

Mesmo com orçamento apertado, desejo de comprar resiste

O apego a casa própria permanece forte: 63% dos brasileiros já moram em uma casa ou apartamento próprio, e 4 em cada 10 pretendem comprar nos próximos anos. Entre os mais jovens, o impulso é ainda maior — 50% da Geração Z tem a intenção de adquirir um imóvel, contra apenas 18% dos baby boomers.

Mas o bolso segue como principal entrave. Segundo o levantamento:

  • 41% não têm recursos para entrada, parcelas ou financiamento;
  • 30% consideram o preço dos imóveis a maior barreira;
  • Mais de um terço afirma que quase toda a renda é consumida pelas despesas mensais.

Segurança domina critérios de escolha

Na decisão sobre onde morar, um fator se impõe: segurança e tranquilidade do bairro, citado por 53% dos entrevistados. A preocupação supera itens como acesso ao comércio (26%) e proximidade do trabalho ou escola (18%).

Essa prioridade se reflete na percepção atual: 71% dos brasileiros dizem estar satisfeitos com o local onde vivem.

Visão de imóvel como investimento varia entre gerações

A compra de imóveis como ativo financeiro divide as faixas etárias. Nas gerações mais velhas, o interesse é mais consistente:

  • Geração Y: 26%;
  • Geração X: 24%;
  • Baby boomers: 23%.

Já a Geração Z, apesar do forte desejo de comprar, tem menor propensão a enxergar o imóvel como investimento: apenas 14%.

Tiny houses, flex living e coliving atraem, mas privacidade ainda pesa

Modelos alternativos de moradia estão ganhando espaço, especialmente por oferecerem maior economia. O estudo mostra que:

  • 38% morariam ou considerariam morar em uma tiny house;
  • 35% aceitariam o flex living;
  • 55% viveriam em coliving em alguma fase da vida, principalmente entre os mais jovens.

Apesar da abertura, a principal barreira permanece a mesma nos três formatos: a falta de privacidade.

Mudanças climáticas entram na conta da compra

Os impactos do clima já influenciam o mercado imobiliário. De acordo com a pesquisa:

  • 56% afirmam que eventos climáticos extremos vão pesar na decisão de comprar ou alugar;
  • 52% acreditam que seus bairros não estão preparados para enchentes, tempestades ou deslizamentos;
  • No Rio de Janeiro, essa percepção sobe para 66%.

Entre os fatores mais importantes na escolha do imóvel diante desse cenário estão:

  • evitar áreas com risco de alagamento (37%);
  • priorizar regiões mais altas (40%);
  • morar longe de encostas com risco de deslizamento — preocupação especialmente forte em São Paulo, onde atinge 46%.

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