Após 200 de extinção, araras-canindés voltam a sobrevoar o RJ

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Crédito: Refauna/ICMBio

No início de janeiro, três araras-canindés retornam ao seu habitat natural para auxiliar na restauração ecológica da Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Batizadas como Fernanda, Fátima e Sueli, as aves chegaram ao Parque Nacional da Tijuca (PNT) em junho de 2025, mas só ganharam a liberdade no último dia 7.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Refauna, Organização da Sociedade Civil (OSC) brasileira, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros parceiros. O trabalho desenvolvido junto às araras, nos últimos meses, envolveu aclimatação e adaptação, como processos fundamentais para viabilizar a sua reintrodução na natureza.

Desde junho, quando chegaram ao PNT, trazidas do Parque Três Pescadores (Aparecida, SP), as araras-canindés permaneceram em um recinto apropriado, para o reconhecimento do ambiente. Nesse período, passaram por um treinamento gradual, para o desenvolvimento de musculatura e aprimoramento das habilidades de voo. Além disso, as aves também aprenderam a evitar a presença humana, iniciaram uma transição alimentar para reconhecer os frutos nativos da floresta onde vão viver e tiveram monitoradas as suas interações sociais e as suas condições físicas.

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As araras foram liberadas com anilhas, microchips e colares de identificação instalados. Todo esse aparato permitirá que as aves sejam monitoradas pela equipe do Refauna diuturnamente. Relatos e informações repassadas pela população também servirão como base para o monitoramento das araras. A participação ativa de populares é conhecida como Ciência Cidadã e pode ser feitos no Instagram do Refauna ou o WhatsApp (21 96974-4752).

O aplicativo SISS-Geo é outro instrumento para o monitoramento participativo das aves. A plataforma, que é gratuita, foi desenvolvida pela Fiocruz. Nela, a população pode enviar fotos e informações quando uma das araras for avistada, mesmo sem sinal de internet.

Além disso, os pesquisadores do Refauna deram início à interlocução com observadores de aves no Rio de Janeiro e avaliam a ministração de cursos de formação com guias que trabalham no Parque Nacional da Tijuca, como forma de promover a educação ambiental.

Mesmo com o todo trabalho realizado junto as araras-canindés, e o aparato de monitoramento desenvolvido para acompanhá-las, se a equipe de pesquisadores do Refauna identificarem qualquer risco à saúde ou à adaptação das aves, elas poderão ser recapturadas para manejo, tratamento ou ajustes no processo de reintrodução.

Sobre o processo de libertação das araras-canindé na Mata Atlântica fluminense, Lara Renzeti, bióloga do Refauna e coordenadora de Reintrodução das Araras, comentou:

“O planejamento para trazer de voltas as araras ao Rio começou em 2018, com destaque para a questão sanitária, que é desafiadora nesta espécie. O período de aclimatação exigiu uma dedicação enorme da equipe. Desejamos que as araras se adaptem bem à vida livre e que os moradores e visitantes do Rio de Janeiro tenham, no futuro próximo, a oportunidade de avistar essas aves maravilhosas colorindo o céu da cidade. A reintrodução das araras agora precisa da colaboração dos cariocas, cuidando e valorizando os animais livres como eles devem ser”, disse a bióloga.

Para Viviane Lasmar, analista ambiental do Instituto Chico Mendes e chefe do Parque Nacional da Tijuca, o momento é de comemoração, pois as araras-canindé eram uma das espécies mais vistas nos céus do Rio de Janeiro há 200 anos, realidade que foi se perdendo com o progresso e o desmatamento:

“Esse momento é esperado não há sete meses, mas há mais de 200 anos. As araras-canindés do Parque Nacional da Tijuca agora são as araras do Rio, dos cariocas e de todos os brasileiros. Elas também são um exemplo para o mundo do que é possível realizar dentro de Unidades de Conservação. Daqui para frente, em conjunto, seremos todos responsáveis pela sobrevivência desses animais em vida livre e, nós do ICMBio, acreditamos que a Ciência Cidadã é a grande aliada neste processo de monitoramento constante”, explicou Viviane.

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A chegada e a soltura desses animais envolveram um trabalho coordenado, com a realização de exames sanitários constantes, seleção comportamental e extremo cuidado com o bem-estar de cada indivíduo. Por isso, uma quarta arara, batizada de Selton, que chegou no Parque em 2025 junto com as demais, deve ganhar liberdade em um momento adequado. Selton está na muda e, enquanto o ciclo da troca de penas não se completa, existe o risco dele não conseguir realizar voos com segurança.

Ao grupo de Fernanda, Fátima, Sueli e Selton, devem se juntar ainda em 2026, mais dois ou três casais da mesma espécie. As aves estão passando por exames sanitários e pelos trâmites burocráticos e de documentação necessários, sob a supervisão dos órgãos competentes.

Segundo o Refauna, é possível que a reintrodução da segunda leva de araras viabilize a reprodução da espécie, o que vai permitir a consolidação do retorno desses pássaros aos céus do Rio de Janeiro. A iniciativa prevê uma ampliação do projeto, com a meta de alcançar a reintrodução de 50 araras-canindés ao longo de cinco anos.

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