O filme acompanha a jornada de Mike Sardina (Hugh Jackman, de “Logan”), um imitador de Don Ho que, durante uma feira estadual, conhece Claire (Kate Hudson, de “Como Perder um Homem em 10 Dias”) no momento em que ela sobe ao palco para se apresentar como Patsy Cline. Ambos músicos com aspirações grandiosas, os dois se tornam um ícone local quando formam uma banda tributo a Neil Diamond.
A sinopse pouco chama a atenção e pode provocar a pergunta “de onde veio essa ideia aleatória?”. O filme, no entanto, se baseia em fatos reais e retrata com fidelidade diversos episódios da vida do casal. Já não é de hoje que a realidade, em diversos momentos, parece mais aleatória e forçada do que a própria ficção.
A lição central do filme é clara: Um raio pode, e vai, cair duas vezes no mesmo lugar, para o bem ou para o mal. Você teve uma grande chance de sucesso e circunstâncias a impediram? Outra oportunidade pode surgir. Um problema sério interrompeu sua carreira e atrasou seus planos por alguns anos? Outros obstáculos certamente aparecerão adiante. Diante dessa premissa, o filme estimula uma perseguição constante de nossos sonhos, pois ninguém sabe se o próximo raio será aquele que os encerrará.
Por narrar a história de um casal de músicos, o filme naturalmente traz inúmeras canções de Neil Diamond. Os momentos de maior impacto se concentram em sucessos menos conhecidos do cantor. O protagonista, inclusive, demonstra aversão ao hype em torno de Sweet Caroline e insiste que o repertório de Diamond é muito mais rico do que essa única música. Para quem abomina musicais, o filme pode causar algum incômodo, embora ele não se enquadre propriamente no gênero.
Apesar da indicação ao Oscar de melhor atriz, o elenco não fornece atuações fora da curva. Os trabalhos são sólidos, com boas entregas, mas sem nada extraordinário. Ainda assim, os atores oferecem o suficiente para criar um nível mínimo de empatia com os personagens.
Por fim, o título não surge por acaso. “Song Sung Blue” é uma canção do Neil Diamond sobre transformar tristeza e melancolia em música, sugerindo que expressar sentimentos difíceis por meio do canto funciona como forma de alívio e cura emocional. A ideia de extrair beleza do sofrimento sustenta o filme de maneira clara. A narrativa aposta na noção de que a queda, em alguns casos, gera impulso e cria uma alavanca inesperada. Na avaliação deste crítico, no entanto, as quedas se mostram fortes demais, com pouco ou efêmero foco nas alavancas criadas a partir delas.
Para os amantes de cinema, a experiência é agradável, sobretudo nas sequências musicais. Para os amantes de música e de espetáculos, a ida à sala escura se mostra quase obrigatória, já que essas cenas concentram o grande destaque do filme. Para os demais, aguardar o streaming pode não ser a pior opção, ainda que essa não seja a forma ideal de contato com a obra.
Nota: 3/5





