Com os festejos de Momo se aproximando, o Hospital Municipal Souza Aguiar realizou, nesta sexta-feira (30), um treinamento para testar a capacidade imediata de resposta dos serviços de resgate e atendimento da unidade diante de desastres em grandes aglomerações. A ação ocorreu em parceria com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e serviu como um “ensaio técnico” de alta complexidade para o Carnaval.
No treinamento Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV) foi feito uma simulação de um atropelamento de diversas pessoas que colocou em prática o Plano de Múltiplas Vítimas, criado pelo médico Francisco Eduardo Silva, coordenador da Residência de Medicina de Emergência, junto a staffs e residentes da unidade, com base nas diretrizes do Mass Casualty Management (MCM) Course, da WHO Academy, realizado em outubro de 2025.
Sobre o plano, o médico Francisco Silva explicou: “Este plano é o resultado de uma imersão técnica internacional aplicada à nossa realidade. O objetivo é transformar o caos de um desastre em um fluxo ordenado e eficiente, onde triar e priorizar corretamente o atendimento salva vidas que poderiam ser perdidas em um atendimento convencional”.
O treinamento impactou toda a estrutura do Souza Aguiar e testou a capacidade de integração entre o atendimento pré-hospitalar e a emergência. Na operação, foram testadas as etapas, do controle de fluxo na recepção e classificação de risco ao suporte avançado na Sala Vermelha e no Centro Cirúrgico.
O médico emergencista e preceptor da Residência Médica do HMSA, Daniel Schubert, reforçou a importância da mobilização:
“Queremos garantir que, quando o Rio de Janeiro precisar, nossa equipe esteja coordenada e pronta para oferecer o melhor atendimento de emergência, com escalas reforçadas e fluxo rigorosamente testado”, afirmou o especialista.
O exercício reuniu 20 voluntários em papel de vítimas, para desafiar a agilidade das equipes em triagem e tomada de decisão sob pressão. A simulação é necessária, uma vez que eventos com muitas vítimas exigem dedicação exclusiva e esforço redobrado das equipes, para salvar o maior número de vidas em um curto período de tempo, como explicou a diretora do Hospital Souza Aguiar, Paula Travassos:
“A ideia foi justamente treinar a priorização frente a um desastre. Precisávamos entender como o hospital responde a um acidente de grandes proporções em tempo recorde, e o resultado foi extremamente positivo. Mobilizamos a unidade de ponta a ponta: desde a sala vermelha até o centro cirúrgico, todas as equipes, envolvendo os médicos, o corpo de enfermagem, maqueiros, agentes de limpeza, recepcionistas e controladores de acesso, ninguém ficou de fora. Sem descuidar do acolhimento às famílias, realizado por uma equipe multiprofissional especializada”, avaliou a médica.
O teste foi liderado por Mauro Massa, médico e chefe de equipe da emergência, que coordenou o fluxo técnico dos atendimentos. A operação envolveu 50 médicos, entre staff e residentes de Medicina de Emergência, além de 50 profissionais de enfermagem, sendo 25 enfermeiros e 25 técnicos.
“O objetivo foi o refinamento. Em uma situação de caos, cada segundo conta. Queremos que cada profissional, do maqueiro ao cirurgião, saiba exatamente sua função”, comentou Massa.
A participação do SAMU foi o diferencial do exercício, segundo a chefe do serviço no Rio de Janeiro, a coronel Bárbara Alcantara:
“Saúde pública não se faz de forma isolada, por isso o convite do Souza para o simulado foi excelente. Embora seja uma atividade rotineira, essa articulação interinstitucional é fundamental para identificarmos o que precisa ser ajustado. O evento foi um sucesso e estamos sempre abertos a futuras parcerias. No Souza, sempre encontramos uma ótima recepção e mantemos um excelente relacionamento”, disse ela.




