A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) é hoje uma das Casas parlamentares mais conservadoras do país. Dos 70 deputados estaduais, a ampla maioria se identifica com a direita ou com posições de centro-direita, formando um bloco numericamente suficiente para aprovar projetos, derrubar vetos e controlar a pauta do plenário. Ainda assim, a hegemonia não significa unidade.
Na prática, a direita fluminense governa a Alerj, mas não atua como um bloco monolítico. Disputas por protagonismo, diferenças de alinhamento com o bolsonarismo e conflitos locais fragmentam o grupo majoritário, criando um ambiente em que derrotas inesperadas e rearranjos táticos não são raros.
Quem é quem na Alerj
A configuração política atual pode ser resumida assim:
- Direita (cerca de 40 a 45 deputados): reúne PL, parte expressiva do União Brasil, Republicanos, segmentos do PSD e legendas menores. Em votações centrais do governo Cláudio Castro, esse grupo costuma garantir maioria confortável, sobretudo em matérias fiscais, administrativas e de segurança pública. É também o bloco mais crítico ao presidente Lula e ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), alvo frequente de ataques que extrapolam o campo político e alcançam a vida pessoal.
- Centro (aproximadamente 10 a 12 deputados): pragmáticos, variam conforme o tema. Parte do PSD, MDB e União Brasil atuam aqui, negociando apoio em troca de espaços e agendas regionais.
Esquerda (9 a 11 deputados): PT, PSOL, PcdoB, PSB e aliados. Minoritária, mas atuante, a bancada vota de forma disciplinada e investe na articulação silenciosa, especialmente em cenários onde a fragmentação da direita pode abrir brechas. Aposta no voto secreto como trunfo em uma eventual eleição indireta.
- Independentes ou voláteis (5 a 7 deputados): parlamentares sem alinhamento fixo, decisivos em disputas internas e votações sensíveis.
Simulação de cenários de votação
Cenário 1 — Votação aberta
- Direita vence com relativa facilidade
- Pressão pública e exposição inibem dissidências.
- Deputados tendem a seguir orientação partidária.
- Resultado provável:
- Direita: 38 a 42 votos
- Centro + esquerda: 28 a 32 votos
Cenário 2 — Votação secreta
- Fragmentação do bloco conservador vem à tona.
- Dissidências silenciosas e acordos transversais ganham peso.
- Centro e independentes tornam-se decisivos.
- Esquerda atua de forma coordenada
Resultado provável:
- Direita fiel: 30 a 33 votos
- Centro + esquerda + dissidentes: 36 a 38 votos
Chance real de surpresa, especialmente se houver:
- mais de um candidato da direita
- conjuntura nacional interferindo
- articulação forte de bastidores
O retrato final
A Alerj é, hoje, majoritariamente de direita, e continuará sendo. Mas o desenho político da Casa mostra que número não é sinônimo de controle absoluto. Em votações expostas, a maioria se impõe. Em decisões sensíveis, internas ou sigilosas, o jogo pode mudar.




