Um ano depois de um grupo de cerca de 15 homens ter sido flagrado fazendo sexo coletivo na Pedra do Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o local segue sendo usado como ponto de encontros sexuais, inclusive às vésperas de mais um réveillon. O episódio ocorrido na virada de 2024 para 2025, que ficou conhecido como “surubão do Arpoador”, viralizou nas redes sociais e ganhou repercussão nacional. As informações são do jornal O Globo.
À época, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, mas a investigação acabou arquivada por falta de identificação dos participantes. Nenhum dos envolvidos foi responsabilizado criminalmente. O encontro foi marcado através da internet.
Área segue como ponto de encontros
Relatos recentes indicam que os encontros continuam ocorrendo com frequência, sobretudo no início da noite. Assim que escurece, homens passam a se concentrar entre as pedras e em áreas de vegetação de difícil visualização. A movimentação tende a aumentar ao longo da noite e avançar pela madrugada. No verão, período de maior fluxo turístico na cidade, a presença de visitantes de outros estados e países se intensifica.
Os encontros seguem um padrão já conhecido por frequentadores e moradores da região. Alguns homens chegam acompanhados, enquanto outros vão sozinhos e acabam encontrando parceiros ocasionais no local. Há quem participe ativamente das relações e quem apenas circule como observador.
Vestígios ao amanhecer
As interações ocorrem, em geral, em trechos com pouca iluminação e acesso restrito. Ao amanhecer, o cenário costuma revelar os vestígios da madrugada, como preservativos usados espalhados pelo chão, embalagens rasgadas e recipientes associados ao consumo de drogas deixados entre as rochas.
Embora em menor escala, há também registros pontuais de flagrantes durante o dia, o que reforça a dificuldade de controle permanente da área. Antes mesmo da repercussão do caso no réveillon passado, a Pedra do Arpoador já era citada em guias gays disponíveis na internet como ponto de encontros sexuais entre homens.
Responsabilidade e atuação das forças de segurança
A fiscalização do Arpoador envolve a Guarda Municipal e a Polícia Militar. Em nota, a Guarda informou que a prática de sexo grupal ao ar livre em locais públicos pode configurar crime de ato obsceno e afirmou atuar em parceria com as polícias Militar e Civil, com possibilidade de intervenção direta em situações de flagrante.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar, por sua vez, declarou que o ordenamento do espaço público na região é atribuição da Secretaria Municipal de Ordem Pública, mas destacou que, diante de flagrantes, os envolvidos são abordados e encaminhados à Polícia Civil. A PM informou ainda que reforçou o policiamento na orla como parte da Operação Verão, com aumento do efetivo e das ações ostensivas.
Temor de repetição no réveillon
Com a proximidade da virada do ano, autoridades admitem preocupação com a possibilidade de repetição do episódio que marcou o último réveillon. Para tentar evitar novas cenas de sexo coletivo em plena área turística, Polícia Civil, Guarda Municipal e Polícia Militar planejam uma ação conjunta entre a noite de 31 de dezembro e o amanhecer do dia 1º.
A estratégia inclui reforço de patrulhamento, abordagens preventivas e um “batidão” na região do Arpoador, justamente no período de maior concentração de pessoas. A avaliação interna das forças de segurança é de que, sem ações coordenadas e contínuas, o cenário registrado no ano passado pode voltar a se repetir, novamente sob os olhos de moradores, turistas e das redes sociais.




